Mulheres sentem-se vulneráveis ao andarem a pé sozinhas em Lisboa

A investigadora brasileira Adriana Souza, que está a analisar a mobilidade a pé na perspetiva das mulheres em Lisboa e em Brasília, concluiu que os problemas nestas capitais são semelhantes, desde logo pela vulnerabilidade ao caminharem sozinhas.
créditos: MARIO CRUZ/LUSA

Em declarações à agência Lusa, Adriana Souza referiu que as mulheres “têm dificuldade a caminhar na rua porque muitas vezes se sentem vulneráveis naquele espaço”. “Não se sentem acolhidas, têm uma visão de que a cidade não lhes pertence”, precisou, falando à margem da conferência “A rua respeita a mulher?”, que decorreu nos Paços do Concelho de Lisboa.

A investigadora assinalou que “muitas [mulheres] preferem não ir à rua, não estar na rua, para não terem a sensação de medo e de vulnerabilidade”.

Quando o fazem, são, por vezes, alvo de piropos: “Os homens ainda se sentem no direito [de o fazer]. Para eles, não estão a fazer nada de mais, não entendem que isso é um desconforto e um constrangimento”.

Tendo por base os contactos que fez, notou também que “caminhar de dia é uma coisa e de noite é outra coisa completamente diferente”, no que toca à confiança sentida.

Também à noite, “as mulheres sentem uma certa insegurança e medo de usar o transporte púbico”, segundo a especialista em Mobilidade, acrescentando que as utilizadoras do sexo feminino “têm dificuldade de encontrar os melhores horários para circular e, por diversas vezes, deixam de fazer qualquer tipo de atividade cultural” por não terem como se deslocar.

Engenheira civil de formação, Adriana Souza está há três meses na capital portuguesa no âmbito do doutoramento em Transportes pela Universidade de Brasília e já entrou em contacto com várias mulheres para compreender esta realidade, depois de ter feito o mesmo no Brasil.

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