Mulheres jornalistas alvo de maus tratos

Um estudo cujos resultados foram divulgados há dias indica que 64 % das mulheres jornalistas inquiridas consideram ter sido alvo de “intimidação, ameaças ou maus tratos” durante o exercício da profissão.

O inquérito foi realizado através da Internet entre julho e novembro deste ano e abrangeu 875 mulheres jornalistas entre os 18 e os 75 anos.

Os responsáveis pela recolha de respostas foram a International Women’s Media Foundation, de Washington, e o International News Safety Institute, de Londres.

O abuso de poder (22,5%) e as ameaças verbais ou escritas e a intimidação física (21,04%) foram duas formas de assédio mais vezes indicadas pelas jornalistas. Quanto ao assédio sexual propriamente dito, 46% disseram ter sido vítimas.

Em relação a Portugal não há dados concretos sobre assédio ou intimidação de mulheres, menos ainda sobre jornalistas. Mas a ficha técnica deste estudo indica, sem especificar países, que 170 inquiridas são jornalistas na Europa.

Dois casos recentes demonstram que este problema não é uma abstração estatística. O jornal The Guardian noticiava em Agosto deste ano o caso de uma fotojornalista de 22 anos que durante um trabalho em edifícios abandonados de Bombaím (Índia), terá sido violada por um grupo de cinco homens.

Em Fevereiro, enquanto fazia a cobertura da chamada “Primavera Árabe” no Cairo (Egito), a conhecida jornalista Lara Logan, que trabalha para o programa “60 Minutos”, da CBS, foi violada e agredia por vários homens.

Bruno Horta

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