Maratona de leitura recorda Natália Correia

Vinte anos após a morte da escritora

Uma maratona de leitura de poemas de Natália Correia realiza-se hoje, entre as 12:00 e as 18:00, na Casa Fernando Pessoa (CFP), em Lisboa, quando passam 20 anos sobre a morte da escritora.

A maratona realiza-se na biblioteca, “para criar um ambiente mais intimista, não havendo um palco e, assim, cada um dos que vão ler os poemas estão ao mesmo nível dos ouvintes", disse à Lusa fonte da CFP. Hélia Correia, Fernando Dacosta, Maria Manuel Viana, Ana Paula Costa, Jaime Rocha, António Carlos Cortês, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e Leonor Xavier, são alguns dos participantes na maratona. Natália Correia faleceu aos 69 anos, no dia 16 de março de 1993, na sua residência em Lisboa.

Nesse mesmo ano, o Círculo de Leitores publicou a sua obra poética completa em dois volumes, "O Sol nas Noites" e "O Luar nos Dias". Nascida na Fajã de Baixo, na ilha açoriana de S. Miguel, Natália Correia fixou-se, com a mãe, em Lisboa, na década de 1930, onde frequentou o liceu tendo mostrado, desde logo, interesse pelas publicações juvenis. Na década de 1940 foi jornalista, no Rádio Clube Português, e assinou as listas do Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha à ditadura do Estado Novo. Em 1946, publicou, num jornal, o seu primeiro poema, "Manhã Cinzenta", e também o romance "Anoiteceu no Bairro". Colaborou em diversas publicações e editou o primeiro livro de poemas, "Rio de Nuvens", em 1947.

De reconhecida combatividade política, defensora dos direitos das mulheres, vários dos seus livros foram apreendidos pela Censura da ditadura. Em 1968, publicou o livro de poesia "Mátria", título que, anos mais tarde, em 1986, deu a um programa televisivo de sua autoria, na RTP. Natália Correia gravou poesia sua e, com Amália Rodrigues, José Carlos Ary dos Santos e José Fontes Rocha, um álbum de poesia medieval portuguesa. Em 1971, com Isabel Meyrelles, constituiu uma sociedade que veio a dar origem ao bar Botequim, em Lisboa. O seu último combate, contra o Acordo Ortográfico, foi a Frente Nacional para a Defesa da Cultura, que fundou em 1992 com, entre outros, José Saramago e Urbano Tavares Rodrigues

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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