Mãee!

No meu papel de mãe tenho aprendido muitas coisas

Assim que chamam "mãe", eu viro a cara. Onde quer que seja e mesmo que os meus filhos não estejam comigo. A primeira vez que isto aconteceu percebi que este instinto é superior a qualquer outro e nunca se desativa.

- Deixa estar que eu levo-o.- ofereceu-se o Ricardo.

O João tinha adormecido e eu precisava de o colocar no carro para o levar para casa.

- Deixa comigo. - pisquei-lhe o olho enquanto conduzia o pequeno matulão com uma ligeireza muito prática.

- Realmente há "magias" que só as mães dominam.- disse ele.

Sorri e concordei. Esta magia é simplesmente a maior força do universo.

- Qual é o seu desejo para o dia da mãe?- perguntava uma entrevistadora a algumas mães, ontem, no noticiário.

Enquanto umas respondiam que queriam flores e outras jantar com os filhos, eu dei a minha resposta em silêncio: desejava que todos os filhos que já perderam as mães tivessem direito a meia hora com elas, sim, nem que fosse meia hora. Ah, e as mãe que perderam filhos também: se fosse possível dar a todas nem que fosse meia hora...

Comovi-me ao pensar no quanto isto seria tremendo. E mesmo que as palavras lhes faltassem, teriam o olhar.

Na minha qualidade de mãe, meço muitas vezes os confins dos meus limites através dos meus filhos. "Serias capaz disto? Se fosse para os salvar, conseguia tudo." Pelos filhos matamos e morremos se preciso for. Todas nós. É curioso como "a mãe", o ser por excelência capaz de mais amor, se pode tornar no mais acabado dos perigos quando os filhos estão em causa.

No meu papel de mãe tenho aprendido muitas coisas, sendo que a maior, talvez, é que o coração nos passa mesmo a bater fora do peito e que, assim que eles saem de nós, nunca mais voltamos a ser um ser inteiro porque ficamos partidas e espalhadas por onde quer que eles estejam.

E enquanto filha? O que quero dizer hoje na qualidade de filha? Algo tão simples quanto grandioso, creio: quero dizer que o olhar com que a minha mãe me olha, é muito bem capaz de ser o meu olhar preferido. Como no olhar que todas as mães usam com os seus filhos, aquele brinda-me com uma doçura, um amor e uma aceitação para lá do compreensível. O que até acaba por ser normal, porque, sabem? O amor de mãe é o sentimento mais singelo  e, simultaneamente, mais poderoso que existe. E sim, ele sabe caber num só olhar...

Ana Amorim Dias

Biografia

artigo do parceiro: Ana Amorim Dias

Comentários