La mirada oscura

Depois de, há uns dias, ter ido à biblioteca de Huelva falar sobre o meu trabalho, recebi um mail do António (o amigo que me convidou), a narrar que um dos participantes me tinha escrito um poema

"Ella tiene una mirada

oscura

la voz que suelta

en esta memoria de montes

recrudece tiempos hechos

altavoces con sordinas

cantos borrachos de amaneceres

En las temporadas de nubes

Huesuda de manos

construye emociones abisales

para los que estamos detrás de los ojos

ciegos pendurados

en las orillas de los estantes vacíos…

en las revistas ajadas…

con las pupilas inquietas

Ella tiene una mirada

oscura

dos pétalos de noche

en este (a)mar encallado"

Qual musa agradecida, apressei-me a enviar ao simpático chileno um mail no qual expliquei que era a primeira vez que alguém me dedicava um poema.

Respondeu assim: "Ya ves, las palabras nos salen a borbotones… algunas veces estas indómitas resuelven por sí solas, cuando el estímulo las enloquece. Me encanta que te encante… pues es creación tuya… solo que salió de mis manos."

O que não contei ao Daniel, no mail que lhe enviei, foi sobre o sentimento doce que nos fica a marinar na alma ao percebermos que deixamos poéticas marcas nos outros. O que não lhe disse foi que, por mais que os outros nos façam nascer, a borbotones, lindas palavras, elas são nossas e para partilhar com o mundo.

Sei que tenho uma mirada oscura porque os meus olhos são negros, mas o certo é que só as miradas mais claras e repletas da luz do encanto pela humanidade inteira, podem fazer de nós musas capazes de despertar poesia em ilustres desconhecidos.

Obrigada Daniel.

Ana Amorim Dias / Daniel Alejandro Barrón Guerra

artigo do parceiro: Ana Amorim Dias

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