Ingleses procuram novas aplicações para produtos de cortiça

Prestigiado Royal College of Art integra modulo sobre a utilização de material português no mestrado de design

Os alunos do mestrado em design do Royal College of Art, uma conceituada instituição de ensino de Londres, no Reino Unido, podem a partir de agora frequentar um módulo dedicado à cortiça.

O mestrado de design da instituição está organizado em unidades temáticas denominadas platforms.

A Platform 15, que aborda a temática da cortiça e do montado, desafia os estudantes a explorar os materiais através dos processos e a desenvolver conceitos com o objectivo claro de produção. A iniciativa, que resulta de uma parceria entre o Royal College of Art e a Corticeira Amorim, é a mais recente de uma série de associações com instituições de referência internacional e insere-se numa estratégia concertada para tornar a cortiça um material de utilização preferencial em projectos de design e de arquitectura. O objetivo é desenvolver novas aplicações para produtos de cortiça e procurar novos mercados.

«Esta colaboração é uma oportunidade de colocar uma comunidade de estudantes tão competente e promissora em contacto com a cortiça, descobrindo as suas propriedades e virtualidades técnicas», justifica Carlos de Jesus, diretor de comunicação e marketing da Corticeira Amorim. O trabalho desenvolvido no âmbito desta parceria centra-se na essência subtil dos objetos e na compreensão de seu contexto, exigindo um forte interesse na cultura visual e estética, de modo a criar projectos de valor, relevância e beleza.

Sob o mote «I am 7 billion», os estudantes são desafiados a conceber um produto ou aplicação com cortiça que seja útil, relevante, de estética apurada, passível de se produzir em massa e de ser comercializado em qualquer parte do mundo. E, como premissa, que sublinhe a dialéctica entre o material (a cortiça) e a aplicação projectada. Segundo Harry Richardson e Max Lamb, docentes do Royal College of Art que coordenam a Platform 15, «a parceria com a Corticeira Amorim possibilitou que embarcássemos num desafiante e estimulante período de investigação, que culminou na utilização de um material fantástico para o design de produto».

«Em muitos sentidos, a cortiça é o ponto de partida perfeito para pensar os produtos do futuro. Caracteriza-a um tão vasto leque de propriedades que, sendo desejáveis, permitem infindáveis soluções criativas. A maioria das ideias e produtos resultantes desta investigação não são apenas inovadores e integradores das propriedades singulares da cortiça na sua funcionalidade. Testemunham também uma visão de produção sustentável. E, isso, é realmente entusiasmante», sublinham. A inclusão de um módulo dedicado à cortiça representa a primeira etapa do projecto desenvolvido com o Royal College of Art.

Dois meses volvidos desde o início do projecto, foram já apresentados os primeiros protótipos, que claramente evidenciam o elevado nível teórico e técnico dos alunos (os mais procurados pelas grandes empresas do mundo do design) e o seu entusiasmo relativamente à cortiça. Sobre os primeiros resultados, Carlos de Jesus destaca o que considera ser «uma abordagem diferenciadora da utilização da cortiça, que apresentou soluções interessantes para indústrias tão variadas como a automóvel e a aquacultura, a construção e o design de interiores».

Paralelamente ao trabalho desenvolvido com o Royal College of Art, a Corticeira Amorim tem vindo a desenvolver uma série de parcerias e iniciativas para elevar o perfil da cortiça no mundo, nomeadamente através do envolvimento com o Serpentine Gallery Pavilion (liderado por Herzog & de Meuron e Ai Weiwei) e com instituições como o Domaine de Boisbuchet (França), a Middlesex University (Reino Unido) e a Rhode Island School of Design (EUA).

Texto: Luis Batista Gonçalves

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