Hoje é dia de pegar no papel e na caneta e escrever a alguém

Podemos teclar furiosamente no computador, deslizar os dedos pelos écrans dos smartphones ou usar a tecnologia touch screen, mas não nada se compara a pegar num papel e numa caneta e escrever.

Hoje é dia de pegar no papel e na caneta e escrever a alguém

É uma invenção que tem tanto tempo que nunca nos questionamos sobre o assunto. Com mais de 3500 anos, a escrita à mão foi testemunha de acordos internacionais, de declarações de amor ou de obras literárias que vivem nas estantes até aos dias de hoje.

Apesar de toda a evolução e revolução tecnológica, a escrita à mão mantém-se e faz parte do nosso dia a dia. “Eu acho que o que morreu foi a carta escrita, que passou a ser substituída pelos e-mails e pelas mensagens. Qual foi a última vez que escreveu uma carta a um amigo?”, questiona João Brandão, professor de Design Gráfico, Design de Comunicação e Design Multimédia na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

“Já ninguém escreve aquelas cartas que se escreviam antes, que ainda por cima ficava um registo de correspondência muito interessante”, explica, mas na opinião do especialista em caligrafia, “a escrita à mão não vai desaparecer. Continuamos a necessitar imenso de escrever à mão e acho que há um revivalismo da escrita à mão hoje em dia. Há uma moda e vê-se nas campanhas publicitárias, nas capas dos livros, nas marcas”.

A escrita à mão tem um dia dedicado, criado nos Estados Unidos, com o objetivo de encorajar as pessoas a deixar de parte as novas tecnologias e a escrever uma carta, um poema ou até a fazer um curso de caligrafia.

João Brandão leciona um Workshop de Caligrafia, a arte de escrever com uma grafia cuidada, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e, apesar de não haver uma data certa para a realização do mesmo, garante que sempre que o workshop abriu conseguiu reunir o número de alunos necessário, que são sobretudo estudantes de Design.

Esta arte de escrever de uma forma cuidada treina-se e os materiais usados influenciam de forma direta os tipos de letra usados. “Isso está completamente interligado. Toda a evolução da escrita, desde o nascimento até hoje, houve sempre um paralelismo entre o instrumento e a tecnologia existente e a escrita em si”, explica o professor.

De maneira a contribuir para a prática da caligrafia, e porque a tecnologia pode ser uma boa aliada nesta arte de escrever à mão, João Brandão desenvolveu a app Calligraphy Practice, disponível em IOS para ser instalada no iPad, onde é possível treinar-se a escrita de letras, projeto que lhe valeu o registo da patente e uma menção honrosa na edição de 2014 do Prémio Nacional Indústrias Criativas, e que pode ser usado tanto por iniciantes como por especialistas.

Hoje é dia de pegar no papel e na caneta e escrever a alguém. Do que está à espera?

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