Há quem resista ao fenómeno Facebook. Como é viver longe de gostos, partilhas e comentários

Clicar na app, fazer login, andar a passear pelo feed e distribuir gostos e comentários pelas fotografias dos amigos é algo que, de certa forma, já se tornou numa rotina para quem tem uma conta (e vida) ativa nas redes sociais. Mas nos dias que correm ainda há quem, pura e simplesmente, prefira não expor a sua vida particular no Facebook ou em qualquer outra plataforma digital.

Clicar na app, fazer login, andar a passear pelo feed e distribuir gostos e comentários pelas fotografias dos amigos é algo que, de certa forma, já se tornou numa rotina para quem tem uma conta (e vida) ativa nas redes sociais. Mas nos dias que correm ainda há quem, pura e simplesmente, prefira não expor a sua vida particular no Facebook ou em qualquer outra plataforma digital.

Catarina Gonçalves* é a única pessoa do seu grupo de amigos que não tem redes sociais. Apesar de ter feito parte do hi5 – lançada em 2004 e que, provavelmente, foi a primeira rede social de muitos jovens portugueses -, a verdade é que a moda passou e consigo se dissipou o desejo de aderir às diferentes plataformas digitais que foram aparecendo ao longo dos últimos anos e passaram a ocupar um lugar central na vida dos amigos.

“Sinto que as redes sociais acabam por ser uma forma fácil e ilusória de alimentar o ego às pessoas, quer seja pelas fotografias que partilham, quer seja pelos textos que escrevem”, afirma a jovem de 28 anos em entrevista ao SAPO Lifestyle sobre a escolha que fez para a sua vida. “Vejo-as como uma forma de ostentação e prova disso é estar com amigos nalgum sítio e grande parte deles estar preocupado em fazer diretos ou em tirar uma fotografias para pôr no Facebook.”

Se por um lado as redes sociais são ferramentas extremamente viciantes - há quem defenda que acabam por reduzir as interações cara a cara e promover o isolamento social - a verdade é que o Facebook, o Twitter e o Instagram também possuem algumas características capazes de impactar, de forma positiva, a vida dos seus utilizadores.

“As redes sociais instituem-se como plataformas onde as pessoas podem dar voz às suas opiniões, interagir com os seus pares (família, amigos, conhecidos e desconhecidos) e ídolos, promover e descobrir interesses pessoais e aceder a notícias a qualquer hora do dia. Estas plataformas permitem também conhecer novas pessoas, (re)encontrar amigos com quem já não falam há muito tempo e saber que atividades as outras pessoas fazem e que interesses têm”, explica a psicóloga clínica da Psinove, Ana Sousa, a propósito deste tipo de plataformas que têm crescido a olhos vistos nos últimos anos.

Mas, numa primeira instância, o que faz com que alguém queira aderir às redes sociais?

A curiosidade e o buzz foram dois dos motivos que, em 2009, levaram Soraia Sequeira a querer trocar o hi5 pela plataforma do momento: o Facebook. O fator novidade fez com que a business manager, durante os tempos de faculdade, passasse horas a fio agarrada ao computador a navegar pelo perfil dos amigos. “Ver as fotos dos outros, por onde andavam e com quem estavam, era uma coisa que me despertava interesse. Para além disso gostava de partilhar fotografias, músicas e desabafos”, referiu a propósito da plataforma criada por Mark Zuckerberg e que, atualmente, é das mais populares entre os portugueses.

De acordo com o estudo da Marktest “Os Portugueses e as Redes Sociais 2016”, existem cerca de 4,6 milhões de portugueses que utilizam as redes sociais, sendo que, de todas as plataformas, o Facebook - com 94,4% - é mais utilizada a nível nacional, seguido do Youtube (42,9%) e Google+ (39,1%). Apesar da popularidade, a verdade é que há quem escolha fazer um log out permanente deste tipo de plataformas. Só no ano passado, a taxa de abandono fixou-se nos 21,2% com a Marktest a apontar a falta de interesse como um dos principais motivos para este afastamento. Mas existem outros.

“Pode-se calcular que as pessoas que abandonam as redes sociais tendem a identificar-se menos com o tipo de interação promovida, o tipo de informação que é partilhada ou as reações que as pessoas da sua rede de contactos adotam. Podem também preferir investir mais nas suas relações cara a cara e menos nas interações online. O sistema de reforço e valorização pessoal que as redes sociais exercem sobre algumas pessoas pode não funcionar com outras, dependendo também dos gostos, dinâmicas relacionais, preferências e estrutura de personalidade”, esclarece a psicóloga clínica Ana Sousa. A justificação assenta que nem uma luva a Soraia Sequeira que, em 2013, se fartou do ‘mural de lamentações’ em que o Facebook se tornou e decidiu fazer um detox digital desta rede social.

*nome fictício

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