Depois do primeiro gay, a primeira mulher

Da esquerda ou da centro-direita, é quase certo que será uma mulher a liderar a Câmara Municipal de Paris. Pela primeira vez.

Está de saída Bertrand Delanoë, presidente da Câmara Municipal de Paris desde 2001 e o primeiro homossexual assumido a exercer o cargo. Os parisienses são chamados este domingo, dia 23, a escolher o próximo “maire” da cidade. Ao que escreve a imprensa francesa, é certo que será eleita uma “madame le maire”.

As candidatas Anne Hidalgo, do Partido Socialista, e Nathalie Kosciusko-Morizet, de uma coligação liderada pelo partido “sarkozysta” União Para Um Movimento Popular (UMP), estão igualmente bem colocadas: 38% das intenções de voto para a primeira; e 35,5% para segunda, diz uma sondagem do jornal “Le Parisien”. “Seja qual for o resultado, será histórico”, escreve a “France 24”.

Anne Hidalgo tem 54 anos, nasceu em Espanha e naturalizou-se francesa. Foi braço direito de Bertrand Delanoë durante 13 anos. “Uma mulher elegante” que “fala baixo mas com firmeza”, descrevia o jornal “Público” no ano passado.

Nathalie Kosciusko-Morizet, de 40 anos, nasceu em Paris e foi ministra do Ambiente num governo de Nicolas Sarkozy, entre 2010 e 2012. Os franceses tratam-na pelas iniciais, NKM. Tem feito uma campanha enérgica e frenética. 

Nunca uma mulher foi presidente da Câmara de Paris, tal como nunca um homossexual assumido o tinha sido até 2001. Bertrand Delanoë chega agora ao fim do segundo mandato consecutivo. Saiu do armário em 1998, numa entrevista televisiva ao canal M6. “É heterossexual ou homossexual?”, perguntaram-lhe. “Sou homossexual, por isso é que estou a participar neste programa.”

Bruno Horta

artigo do parceiro: Bruno Horta

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