Dar uma volta ao mundo com a ajuda dos amigos

Ana Alves e Bárbara Simões deixaram de lado a rotina e embarcaram numa aventura. Até onde as levam os amigos?

Viajar e ser recebido sempre por amigos, ou amigos de amigos, é a máxima que tem guiado Ana Alves e Bárbara Simões nos últimos cinco meses. As duas companheiras de viagem deixaram de lado a rotina e embarcaram numa aventura. Viajaram durante cinco meses pela Ásia e seguem agora para o continente americano.

Tudo começou quando Ana e Bárbara perceberam que viajar era uma atividade que as unia e complementava. Ainda na faculdade, tiveram a oportunidade de fazer Erasmus em Paris e a partir daí nunca mais pararam. Começaram por conhecer a Europa, depois descobriram a Índia e, finalmente, decidiram que estava na hora de partir para uma aventura mais ousada.

“Já há algum tempo que esta ideia de dar a volta ao mundo nos andava a provocar. A cada viagem que íamos fazendo crescia um bocadinho mais, mas foi com o nosso blog que a vontade de dar uma volta maior nas nossas vidas ganhou forma”, explicam as duas amigas.

Esta volta a 180 graus deu-se quando Ana e Bárbara deixaram os empregos na área da publicidade e decidiram partir para novos mundos. “Deixar a publicidade foi um risco que decidimos correr em nome da certeza de que cá fora encontraríamos essa inspiração, ideias novas, pessoas diferentes que nos abrissem o campo de visão”, contam.

Para tornar a aventura ainda mais interessante, e também para poupar, decidiram que iriam sempre encontrar um amigo em cada local que parassem, afinal, “os amigos estiveram sempre lá”. “E porque não ir ter com os amigos? E com os amigos dos amigos? E se os amigos dos amigos tiverem outros amigos por aí, porque não ir ter com eles também?”. Assim surgiu o projeto “Até onde nos levam os nossos amigos”, que conta com um site onde é possível acompanhar o percurso destas viajantes.

“Comer bichos estranhos e nadar com tubarões-baleia”

Camboja, China, Filipinas, Índia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname foram os países por onde passaram durante a primeira etapa da viagem. “Em cinco meses conhecemos mais pessoas que em cinco anos, fizemos amigos de Israel ao Uruguai, do Canadá a Itália, do Iraque à Islândia, da Índia ao Japão”, indicam.

“Em cinco meses quantas não foram as vezes em que nos deitámos em cidades alucinantes e acordámos na ermitagem de um topo de montanha. Em cinco meses mudámos de janela mais de cinquenta vezes e num só dia chegámos a andar de avião, barco, autocarro e tuc tuc.”, realçam.

Das inúmeras peripécias que têm vivido, Ana e Bárbara destacam algumas, tais como: passar duas horas num “barquinho de madeira duvidoso” no meio de ondas gigantes no Camboja, ver uma carteira roubada no Japão, “um dos países mais seguros da Ásia”, dividirem uma mota com mais duas pessoas pelas ruas de Hanói, “andar no topo de autocarros, comer bichos estranhos, nadar com tubarões-baleia, e por aí em diante”.

Bárbara e Ana em Hoi An, Vietname

“Uma ideia feliz”

Depois de “encontrar um tracejado de amigos espalhados pelo mundo”, Ana e Bárbara afirmam que “uma das melhores experiências desta viagem é chegar às casas destes amigos de amigos”.

“Ficamos nervosas à entrada da porta, nunca sabemos muito bem quem está do outro lado, sabemos que estamos ligados por um amigo, e, em cinco meses, pela Ásia. Do outro lado da porta, saem as melhores memórias desta viagem”, contam.

“É muito diferente conhecer novos lugares com um guia na mão, ou andar a passear pela mão dos amigos. O que nós não estávamos à espera é que depois custasse tanto. Viajar de amigo em amigo é uma ideia feliz, mas é um coração apertado. Acabam por ser dias muito intensos, e depois eles ficam para trás e nós continuamos”, referem.

Estados Unidos, México, Colômbia, Bolívia, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil são os países que Ana e Bárbara contam conhecer até outubro, mês que regressam a Portugal. Acreditam que o regresso “vai ser estranho”. “Mas esperamos voltar cheias de energia, ideias e vontade”, concluem.

Para quem quer se aventurar numa grande viagem, as duas amigas deixam uma dica: “que embarque, já, sem grandes hesitações nem conselhos. ‘O caminho faz-se caminhando’, não é? Então, vamos”.

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