Dama de Ferro nasceu há 90 anos

O SAPO Lifestyle recorda a vida e carreira de uma das figuras inconfundíveis da história do século XX. Com uma personalidade forte e postura implacável, Thatcher foi a primeira mulher a ser eleita primeira-ministra no Reino Unido. Apesar das medidas difíceis e pouco populares que tomou enquanto líder do Partido Conservador, esteve no poder durante 11 anos.

Margaret Hilda Roberts nasceu a 13 de outubro de 1925 na cidade de Grantham, Inglaterra. Oriunda de uma família de merceeiros, Margaret frequentou a Universidade de Oxford onde se licenciou em Química. Em 1951 casou-se com Denis Thatcher, um executivo da indústria do petróleo, com quem teve dois filhos: os gémeos Carol e Mark. Apesar da vida familiar estável, Thatcher ansiava por mais. Em 1952 voltou à Faculdade desta vez para estudar Direito. Foi uma figura controversa, devido ao seu feitio difícil e postura conservadora e autoritária, que lhe valeu a alcunha de ‘Dama de Ferro’ por parte da imprensa soviética. A sua carreira política ficou marcada por privatizações, o controlo da inflação, os cortes na despesa, desemprego, greves e manifestações.

A sua carreira política começou muito cedo, grande parte devido à influência familiar. Durante os tempos de estudante Margaret tornou-se membro da Associação Conservadora da Universidade de Oxford e sempre manteve a convicção de que a sua vida passaria pela política. Em 1959 consegue lugar na House of Commons e assim se dá início à ascensão da sua carreira. Em 1961 é nomeada Secretária de Estado e em 1970 chega a Ministra da Educação. Vista como uma grande força dentro do partido, em 1975 é eleita líder do Partido Conservador, chegando a Primeira-Ministra em Maio de 1979. Durante os seus três mandatos (1979-1990) foi vítima de inúmeras controvérsias.

O seu primeiro mandato, entre 1979-1982, ficou marcado pela greve de fome dos prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA). Em 1981, na tentativa de serem reconhecidos como presos políticos, os prisioneiros – encarados por Thatcher como meros criminosos – deram início a uma greve de fome que tirou a vida a vários homens. Em abril de 1982 o exército argentino invade as ilhas Malvinas, dando-se início a uma guerra que nem sempre foi objeto de consenso mas que acabou por aumentar a popularidade de Thatcher e garantir a sua reeleição.

O segundo mandato, entre 1983 e 1987, ficou marcado pela tentativa de assassinato de Margaret Thatcher. Corria o ano de 1984 quando o Exército Republicano Irlandês (IRA) – como forma de retaliação pela morte dos prisioneiros – decide colocar uma bomba no edifício onde iria decorrer a Convenção Anual do Partido Conservador. A primeira-ministra saiu ilesa por milagre. Os ataques aos sindicatos foram outros dos momentos marcantes da carreira política de Thatcher, como é o caso do confronto que se gerou contra os mineiros de carvão em 1984. Após anunciar o encerramento de 160 minas, os mineiros deram início a uma greve que teve lugar entre 5 de março de 1984 e 3 de março de 1985 na tentativa de demover Thatcher de uma medida que atirou para o desemprego milhares de pessoas.

O terceiro e último mandato (1987-1991) foi marcado pela tentativa falhada de implementar o chamado poll tax, um imposto local, e por Thatcher ser contra a criação da União Europeia. As suas visões não foram vistas com bons olhos, levando a que se criasse uma grande tensão dentro do partido. Em novembro de 1990 Margaret Thatcher pede a sua demissão do Partido Conservador, sendo substituída por John Major.

Após abandonar a vida política e a Câmara dos Comuns, Thatcher conquista lugar na Câmara dos Lordes em 1992 sendo condecorada com o título de “Baronesa Thatcher de Kesteven”. Nos últimos anos de vida o seu estado de saúde deteriorou-se bastante apresentando sinais de demência e tendo sido vítima de vários derrames. Em 2012 foi operada para remover um tumor na bexiga. Em abril de 2013, aos 87 anos, teve um acidente vascular cerebral (AVC) a que não resistiu.

Recorde algumas das frases mais conhecidas da Dama de Ferro

“Eu não acredito que, durante a minha vida, haverá uma mulher que chegue ao cargo de Primeira-Ministra.”

"Sou a favor do consenso. O consenso sobre o que eu quero".

"Qualquer mulher que saiba como é difícil gerir uma casa percebe como seria problemático arruinar o país.”

"Não sou um político de consensos. Sou um político de convicções."

“Gosto de uma boa discussão. Gosto de um bom debate. Não estou à espera que os outros fiquem sentados e a concordar com tudo o que digo – não é para isso que lá estão.”

"Se o Bom Samaritano só tivesse boas intenções, ninguém se lembrava dele. Ele também tinha dinheiro.”

“Para os que estão à espera da frase favorita dos media, 'reviravolta', só tenho uma coisa a dizer. Damos a volta se quisermos. E esta senhora não faz reviravoltas.”

“A noção de sociedade não existe. Existem homens e mulheres e as suas famílias.”

"Estar no poder é como ser uma senhora. Se tiver que lembrar às pessoas que é uma senhora, então é porque não o é."

"Na política, se quiser que algo seja falado, peça a um homem. Se quiser que algo seja feito, peça a uma mulher"

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