As mulheres e as redes sociais: histórias verídicas

Relutantes no início, hoje são as maiores aderentes ao fenómeno

Carla tem 38 anos e sempre foi aversa a tecnologias. Num momento conturbado da sua vida, sentiu-se só, demasiado só para procurar amigos e família. Apetecia-lhe, na verdade, falar com estranhos e só com estranhos, pessoas que não a conhecessem e que não tivessem qualquer opinião sobre a sua pessoa. “Foi assim que me iniciei numa rede social… em busca de um refúgio. Com um nome que não era o meu, comecei de novo. Novos amigos, novas esperanças”, refere a secretária administrativa.

Recorda que primeiro começou devagarinho, muito timidamente, mas depois tornou-se uma expert. Começou a marcar uns encontros, a fazer amigos atrás de amigos até construir uma nova rede. Deixou para trás o seu passado e conseguiu superar os seus receios sem passar pelo divã da psicóloga: “Hoje, muitos dos meus novos amigos já conhecem detalhes da minha anterior vida. Praticamente não me reconhecem. Só para contextualizar durante muito tempo fui uma mulher submissa, sem vontade própria, a fidelidade em pessoa quando fui confrontada com uma traição mesmo debaixo do meu nariz. A partir daí agi como um robot. Divorciei-me e pensei em fugir, mas isso só acontece nas histórias cor-de-rosa. Tinha de agarrar o meu emprego, senão era o meu fim. Também não sentia vontade de sair de casa e encarar a traição. Acabei por me refugiar numa rede social até ganhar confiança outra vez. Estou mudada…foi fantástico para fazer delete ao seu passado.

A vida também mudou para Ana…por causa de um rede social. Mas as circunstâncias foram bem diferentes. “Descobri que o meu noivo era um bon vivant. Tentou negar, mas contra factos não há argumentos e a sua rede de “amigos” ou melhor de amigas é bem denunciadora”. Ana começou por odiar as redes sociais e culpar o facilitismo com que se “flirta” na internet. Mas rapidamente se apercebeu que o problema não era esse. “ Pensei assim: se era tão fácil para o João fazer isso, também o era para mim, ou seja comecei a flirtar nas redes. Mas não foi preciso muito para perceber que eu tinha de ter uma predisposição genética para agir assim e definitivamente essa não era a minha praia.

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A Rosa tem uma postura diferente. Aos 42 anos gosta de fazer amigos à maneira antiga e não através das novas tecnologias. “ Para mim, as redes sociais são excelentes…para networking. Consigo fazer imensos contatos e até marcar algumas reuniões mais difíceis. Agora para conversar com os meus amigos…nem pensar!” Tudo começou há dois anos quando criou a sua empresa. A partir daí tratou de divulgá-la via rede social, primeiro junto dos amigos e depois alargando o leque para outros nomes cujo perfil a interessavam. Assim foi crescendo sem investimento em marketing, pois o seu budget não dava para tudo, mas os resultados foram surgindo: “Até consegui mudar de fornecedor, com valores mais acessíveis.

O seu caso de empreendedorismo feminino não é único. O estudo "O negócio está nos relacionamentos, mas onde estão as mulheres?", elaborado pelo centro internacional de trabalho e família do IESE, apontava, em 2007, a falta de uma rede de contatos informais como a segunda maior barreira ao desenvolvimento profissional das mulheres. Entre as desculpas que o sexo feminino usava para evitar este tipo de relacionamento encontram-se a “sensação de que estão a aproveitar-se de uma situação, o medo de rejeição em ambientes hostis, a falta de poder de decisão e a falta de tempo”.

Hoje, volvidos quatro anos a realidade é bem diferente. As mulheres aderiram às redes sociais, ultrapassando muitos vezes, a posição masculina a nível de número de horas de navegação.

Nos Estados Unidos, um balanço dos media digitais elaborado em 2010 revela que as norte-americanas passaram 16,8% do seu tempo em sites de redes sociais no mês de Dezembro, um crescimento de 4,5 por cento em relação ao ano anterior e face a um aumento de 2,9 por cento por parte dos homens.

A grande questão é que o sexo feminino potencia a sua rede social para contatos profissinais. "A fórmula de uma plataforma digital é combinar as novas tecnologias com as necessidades coletivas, criando um ambiente de confiança, porque a organização garante que todas as candidatas sejam passadas por um crivo que leve em consideração as suas realizações profissionais" revela Rosaura Alastruey, especialista em redes sociais.

Trata-se no fundo da descoberta do admirável mundo novo para as mulheres. E este artigo, como foi feito? Via rede social, pois bem!

artigo do parceiro: Nilza Rodrigues

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