A vida em saldos

A vida não tem época de saldos

Trinta. Cinquenta. Setenta por cento de desconto. E, como se de um gigante aspirador humano se tratasse, somos sugados para dentro das lojas. Apelativas. Cheirosas. Viciantes. Entramos num mundo novo que nos faz sentir bem e nos convence de excelentes oportunidades. Já lá não ia há muito tempo mas ontem entrei em várias lojas. Circulei, olhei, toquei. E decidi fazer uma pequena lista antes de me permitir comprar algo.

Posso?

Quero?

Gosto?

Usarei?

Preciso?

Decidi só comprar algo se cada questão tivesse por resposta um "sim". Após andar quase uma hora alheada da realidade, entre roupas e sapatos, vim-me embora com a consciência de ter feito uma excelente aquisição: juízo por zero cêntimos! Se tivesse retirado da minha lista o "preciso" talvez não fosse bem assim, mas fiquei satisfeita na mesma. Satisfeita e a pensar que a vida não tem época de saldos. Há incontáveis experiências que nem sequer se pagam ( com dinheiro, pelo menos) e que, se estivermos atentos, podemos aproveitar.

Com as vivências mudo a lista:

Posso?

Quero?

Crescerei?

Há muitas coisas que "decidimos" não poder, mas estamos redondamente enganados. Mentimos a nós mesmos dizendo "não posso" como quem conta a mais esfarrapada mentira. Nos "saldos" das vivências querer é mesmo poder. E quando queremos é porque a alma chama: porque sabe que, mesmo que a coisa dê para o torno, sairá enriquecida.

De todas as perguntas, a mais importante é  "crescerei?". Sempre que percebermos que algo nos vai construir um pouco mais devemos "fechar tal negócio".

Dois exemplos muito simples: uma rápida fuga para um mergulho de mar a meio de um dia de trabalho. Se pudermos e quisermos, isso far-nos-á crescer... em boa energia, pelo menos.  E um copo com os amigos? Pode dizer-se que não? Claro. Mas estamos a perder uma das melhores oportunidades de nos sentir parte de algo, de rir e rejuvenescer as células, de aliviar o stress e partilhar bons momentos. Pode ser só meia hora, mas um copo (ou café) com amigos fará para sempre parte dos saldos da vida: daqueles que podemos, queremos e nos fazem crescer em alegria interior.

Nunca pensei conseguir dizer isto sem que parecesse fútil, mas a verdade é que há mesmo saldos absolutamente imperdíveis!

 Ana Amorim Dias

Biografia

artigo do parceiro: Ana Amorim Dias

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