A minha primeira vez

10 mulheres relatam vivências intensas e experiências marcantes na primeira pessoa (fotos)

Ainda se lembra da última vez que saiu da sua zona de conforto e experimentou algo novo que lhe despertou uma série de sensações? Provavelmente, não. Mas também não será caso único. Muito pelo contrário! Apresentamos-lhe 10 testemunhos que relatam experiências de superação e que servem de motivação para si. Inspire-se neles para perder medos e receios ou até para dar um novo rumo à sua vida.

Fazer voluntariado

Ana Silva, 26 anos, socióloga na Cresaçor - Cooperativa Regional de Economia Solidária, CRL, sempre quis ajudar os outros. E conseguiu! «Ser voluntária na Guiné Bissau foi uma decisão maluca aos olhos de quem me rodeia mas um grande desafio para mim. Este país marca a minha primeira vez como voluntária num projeto internacional, a minha primeira vez à frente de militares carregados de armas, a minha primeira vez a dar aulas sem qualquer material didático, mas mais do que tudo isso marca a minha primeira vez a receber mais do que alguma vez pensei», recorda.

«São os sorrisos sinceros das crianças, vazias de tudo mas cheias de alegria e vontade de conhecer o desconhecido, que me fazem querer superar os meus medos e limitações como a instabilidade do país, a falta de recursos, as dificuldades de comunicação com a população local e os problemas de saúde que já tive (febre tifóide e uma conjuntivite viral)», afirma Ana Silva, que, no primeiro trimestre de 2014, ainda permanecia no país.

«Esta tem sido uma experiência enriquecedora devido às amizades que tenho construído, às emoções que tenho vivido, aos conhecimentos que tenho adquirido e a tudo aquilo que fica registado pela melhor máquina fotográfica, os meus olhos», assegura a socióloga, natural da Ilha Terceira, nos Açores.

Pisar o palco

Presença regular na televisão e no teatro, São José Correia, 39 anos, é uma atriz de créditos firmados. «A primeira vez que subi ao palco tinha apenas 16 anos e estava no nono ano», recorda. «Na altura, estava a ser preparado um espetáculo sobre Galileu e o rapaz que tinha esse papel adoeceu um dia antes da peça estrear. Perante este imprevisto, perguntaram-me se eu era capaz de o substituir e eu aceitei o desafio», desabafa.

«Foi assim que, ironicamente, a minha estreia em palco com público (os pais e amigos de todos os alunos) foi a fazer de Galileu. Senti uma enorme adrenalina e exaltação. Não tive muito tempo para me preparar e ensaiar mas não tive medo, até porque era nova e estava na altura da alegre inconsciência», como faz questão de sublinhar.


Voar num balão de ar quente

Guida Fagundes, 43 anos, educadora de infância, originária dos Açores, realizou um dos seus sonhos longe do seu arquipélago. «Em 2013, fui de férias à Turquia e tive a oportunidade de andar de balão de ar quente. A curiosidade de conhecer a região da Capadócia de outra perspetiva anulou o meu medo das alturas. Era uma experiência imperdível», sublinha. Não ficou desiludida.

«O balão era maior do que eu imaginava (a cesta tinha capacidade para 25 pessoas) e subiu, lentamente, até cerca de 2.000 mil metros de altitude! Aos poucos, e com ajuda do nascer do sol, a beleza desta região foi-se evidenciando. A magia deste momento depressa silenciou o burburinho e excitação de todos», afiança.

Cerca de 2.500 pessoas viveram a mesma experiência. «Nós, os 25, multiplicados por 100. Sim, ao todo eram 100 balões. Permaneceram apenas os cliques das máquinas fotográficas, inclusive da minha. Hoje, quando revejo as fotografias, parecem-me autênticos postais. E eu fiz parte deles!», regozija-se a educadora de infância.

Concretizar um projeto

Maria Teresa Bettencourt, 25 anos, fashion designer e co-fundadora da marca de malas e acessórios Manjerica, conseguiu concretizar o seu projeto de negócio. «No dia em que criei a minha própria marca, a Manjerica, nem queria acreditar que já tinha algo meu, que iria acarinhar e lutar ao máximo pela possibilidade de perdurar. Levei um ano a pensar, criar o conceito, encontrar uma fábrica e estudar a melhor forma de entrar no mercado», recorda.

«Coloquei no papel as minhas ideias e inspirações e criei uma coleção que refletia uma das mais incríveis viagens que já fiz, um safari na África do Sul. E assim nasceu Jungle Drums. A emoção de ver como ficariam fisicamente as malas feitas a partir das minhas ideias e esboços tomou conta de mim. Durante a viagem até à fábrica, não parei de me questionar se teria ficado como idealizei, se iria gostar e de pensar se as outras pessoas também iriam gostar», relembra a criadora.

«Quando vi o resultado final, nem queria acreditar! Estavam exatamente como tinha imaginado. Depois, chegou a altura de expor o produto final, uma fase fundamental para quem é criativo porque é o momento em que se expõe tudo o que está cá dentro. De certa forma, é dar um pouco de si, é ver o que criou sair e ser levado por outros. Essa sensação é a mais gratificante», afiança Maria Teresa Bettencourt.

Fazer a recruta da Força Aérea Portuguesa

Liliana Raminhos, 32 anos, técnica superior da administração pública, deixou-se convencer pelo slogan «O teu futuro começa aqui», repetido até à exaustão num anúncio na televisão. «Aos 17 anos, funcionou como um clique para a minha decisão de ir para a Força Aérea Portuguesa (FAP), onde estive nove anos. Quando cheguei à Base da Ota fui integrada naquele que seria o meu pelotão. Entregaram-me o fardamento, cortei o cabelo, atribuíram-me a cama, levei vacinas e aprendi a fardar», refere.

Na altura, teve receio de ter dado um passo maior do que a perna. «Estava assustada e com receio mas, ao mesmo tempo, contente e curiosa. O primeiro dia de recruta fez-me sentir um misto de sensações: expetativa, euforia, medo, ansiedade e alegria por ter conseguido concretizar o meu objetivo. O elemento mais importante desta experiência foi, sem dúvida, o fator humano, o espírito de camaradagem. Aprendi a fazer parte de um todo em que cada pessoa é uma parte indispensável», afirma, convicta.

Conhecer um heroi

Mónica Ferro, 43 anos, docente e deputada na Assembleia da República, teve a sorte de se cruzar com uma figura que admira. «Estava a trabalhar num stand das Nações Unidas na feira Os dias do Desenvolvimento, na Feira Internacional de Lisboa (FIL) quando conheci aquele que, para mim, era a personificação desta organização e, por isso, representava aqueles que considero serem alguns dos principais ideais mundiais: a paz, a cooperação, os direitos humanos e a igualdade de género», começa por contar.

«Kofi Annan era mais baixo e mais bonito do que eu pensava e o seu sorriso continua a ser uma das minhas fontes de inspiração. Não estava previsto mas a ocasião coincidiu com o meu aniversário.
Vê-lo ali ao pé de mim a cumprimentar-me com um aperto de mão transmitiu-me a ideia de que os heróis são pessoas simples, que estão ao nosso lado», recorda, com saudade.

«Numa altura em que nos faltam as figuras de referência, estar com aquela que era o mensageiro da paz foi algo que me marcou. Nunca tive posters de heróis ou figuras míticas mas tenho a foto do Kofi Annan no meu gabinete. Para mim é uma força inspiradora, é o meu heroi», acrescenta ainda Mónica Ferro.

Fazer mergulho

Jessica Athayde, 28 anos, atriz, gosta do mar e, numa pausa nas gravações da telenovela «Doce Tentação», conseguiu realizar um dos seus sonhos. «No verão de 2011, esperavam-me umas férias nas Seychelles que eu sabia que era um dos melhores destinos de mergulho do mundo. Fui motivada a fazer o curso de mergulho na Escola de Mergulho de Lisboa, que terminei em Sesimbra antes de partir em viagem. Sentia muito medo e claustrofobia (até fechar o fato era um problema para mim) mas com persistência decidi que ia ultrapassar os meus medos», relembra hoje.

«Mergulhar com tubarões e milhares de peixes podia assustar-me, mas a verdade é que, depois do primeiro mergulho, todo o receio desapareceu. Nunca tinha presenciado uma paz tão forte num sítio tão bonito. Agora, sonho em nadar com baleias, nos Açores», revela a atriz.

Dançar hip hop

«Subir ao segundo andar da escola Peridance em Nova Iorque e oficializar a minha candidatura foi o concretizar de um sonho», recorda Vanessa Canto, 24 anos, bailarina. Foi aí, depois de concluir um curso de Economia no Porto (área que a fazia sentir como um peixe fora de água que arriscou
tornar-se bailarina. «Durante os dois anos de formação, tive o prazer de aprender e dançar com pioneiros da cultura hip hop e, hoje, faço parto de dois projetos, o grupo FunkadelicCrew e o Back to Basics», refere.

«Um dos momentos mais marcantes foi a minha primeira aula com Brian Green, um dos bailarinos que mais admiro. Sabia que seria um desafio e estava super entusiasmada e nervosa! E isso nunca mudou nas aulas seguintes. E, agora, trago-o ao Porto, em janeiro, para que possam apreciar o seu talento (com ou sem nervos). A primeira vez em que me senti em sintonia com a dança, permitiu-me estar em paz e realizada», conclui.

Escrever um livro

Joana Rombert, 35 anos, terapeuta da fala e autora do livro «O Gato Comeu-te a Língua?», editado por A Esfera dos Livros, teve receio numa fase inicial. «Tive dúvidas de que seria capaz de escrever sozinha um livro sobre exercícios, técnicas e conselhos para os pais e educadores ajudarem as crianças no desenvolvimento da fala, da linguagem, da leitura e da escrita. Mas aceitei o desafio da editora», desabafa.

«Apesar de algumas inseguranças iniciais, consegui fazê-lo com base na prática do meu dia a dia. Enquanto o escrevi, surgiram dificuldades. A maior foi saber que não podia por tudo num livro e não queria deixar coisas essenciais de lado. Depois de o finalizar, foi tempo de pensar na capa e no nome. Só aí consegui vê-lo como algo concreto e da minha autoria. O mais importante é poder apresentá-lo e passar uma mensagem», afiança.

Criar um blogue

Pureza Fleming, 32 anos, editora de moda da Saber Viver, gosta de escrever e não é de hoje. «Foi a 14 de fevereiro de 2008 que escrevi o primeiro post do meu blogue, o Fashion Rules», recorda. «Wanted» foi o título escolhido e mostrava uma produção que Kate Moss e Naomi Campbell («duas das bosses do universo das top models», como as caracteriza) fizeram para a Vogue francesa.

«Criei o blogue porque senti necessidade de ter um espaço onde pudesse deitar cá para fora toda a informação que vou bebendo sobre moda. Informar, mostrar e inspirar é o objetivo. Quem gosta de aqui vir, gosta mesmo. Não porque falo da minha vida. Gosta porque sim e, para mim, isso basta. É gratificante saber que tenho seguidores», sublinha Pureza Fleming.

Texto: Fabiana Bravo com edição de Luis Batista Gonçalves

artigo do parceiro:

Comentários