Viagens ‘low cost’: O que saber?

As transportadoras aéreas 'low cost' oferecem preços irresistíveis, mas será que compensa sempre? Conheça a resposta.

Pai, mãe, filhos, famílias inteiras, pessoas de classes sociais mais desfavorecidas, jovens estudantes e idosos. As transportadoras aéreas ‘low cost’ vieram democratizar o acesso às viagens de avião e prova disso é que, no ano passado, 216 milhões de pessoas voaram recorrendo a estas companhias europeias, o que representa um aumento de 6,7% quando comparado com 2012, de acordo com estatísticas da Associação Europeia de Linhas Aéreas Low Cost (ELFAA). Conheça 10 sites para planear férias baratas e perfeitas

O motivo pelo qual estas companhias aéreas continuam a conquistar novos clientes, mesmo em tempos de crise, prende-se com o preço. As empresas ‘low cost’ disponibilizam voos para destinos em todo o mundo por custo mais reduzido face ao preço cobrado por companhias aéreas tradicionais. Só para ter um exemplo, uma pesquisa de um voo Lisboa-Paris, ida e volta, em Setembro, numa companhia aérea tradicional (que automaticamente inclui bagagem e taxas) custa 138,66 euros. Enquanto a mesma pesquisa numa companhia aérea ‘low cost’ custa 51,98 euros, menos 167%.

‘Low cost’: o que esperar?
Estes preços são possíveis uma vez que ao comprar bilhete numa companhia aérea ‘low cost’ apenas paga a deslocação, tudo o resto é pago à parte, pois apenas fornecem o básico. No geral, só pode transportar uma pequena mala de mão, se a bagagem for grande terá de a despachar para o porão o que representa um custo extra, muitas vezes significativo. Também não existem pequenas refeições a bordo gratuitas e se quiser ler uma revista terá de a pagar.

Para além destes confortos durante a deslocação, há ainda outra variante a equacionar quando vai comprar um bilhete de avião. Muitas vezes, para manterem os preços baixos, as transportadoras aéreas ‘low cost’ viajam para os aeroportos secundários, mais longe do centro da cidade, o que significa que as contas deverão ser feitas contabilizando os gastos extra em transportes para o local escolhido. Mantendo o exemplo referido (Lisboa-Paris), enquanto a companhia ‘low cost’ aterra no aeroporto de Beauvais-Tillé, a 65 quilómetros de Paris, a companhia aérea ‘tradicional’ aterra no aeroporto Charles de Gaulle, que fica a cerca de 35 quilómetros da capital francesa. Terá ainda de contar com as taxas adicionais a pagar, como por exemplo: Se quiser enviar a bagagem para o porão, se quiser escolher o lugar no avião, se fizer o check in ao balcão, em vez de o fazer pela internet, ou se pagar a viagem recorrendo ao cartão de crédito ou débito como meio de pagamento.

Pegando no exemplo acima referido, a viagem Lisboa-Paris que à partida custaria 51,98 euros, ao incluirmos taxas de bagagem, de marcação de lugar e pagamento com cartão de crédito passa a 116 euros. Ou seja, neste caso, o nível de poupança entre optar por uma companhia ‘low cost’ e uma transportadora tradicional é bem menor face aos valores iniciais – representando apenas uma poupança de 22 euros face ao preço do bilhete comprado na transportadora aérea “tradicional”.

Atenção à informação
Recentemente a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, Deco, analisou sites de cinco companhias aéreas ‘low cost’ e de quatro agências de viagem de venda online, tendo detetado falhas na informação prestada ao consumidor. Segundo esta entidade, a informação é incompleta, omite os direitos dos passageiros e não existem serviços de apoio suficientemente capazes para ajudar os consumidores. A Deco alerta ainda para as disparidades entre o preço inicialmente anunciado e o efetivamente cobrado. Cuidados a ter na marcação de férias pela internet

Para compensar…
Se compensa ou não viajar em ‘low cost’, cabe ao consumidor decidir. Se o objetivo é apenas deslocar-se de um sítio para o outro, por poucos dias (não necessitando de muita bagagem), pode compensar fazer a viagem através das transportadoras aéreas ‘low cost. Mas, para que possa ser financeiramente proveitoso, há alguns aspetos que deve ter em consideração, nomeadamente as taxas adicionais que nem sempre são óbvias durante o ato da reserva. Se quiser evitar esta despesa extra, saiba o que fazer.

- Tudo começa na pesquisa para a viagem. Para que o preço seja o mais baixo possível deverá optar por viajar cedo ou ao fim da noite e durante a semana (terça ou quinta feira), uma vez que estes voos são mais baratos, dado que existe mais disponibilidade de lugares.

- Faça o check in através da internet, evitando os custos adicionais nos balcões dos aeroportos. Não se esqueça depois de imprimir o cartão do embarque.

- Quando está a comprar o bilhete, evite pagar mais por escolher um lugar no avião. Em vez disso, no dia da viagem chegue antecipadamente ao aeroporto e seja dos primeiros a entrar no avião, por forma a poder escolher o lugar que mais lhe apraz.

- Se vai apenas dois ou três dias de viagem, seja comedido na hora de fazer a bagagem. Informe-se antecipadamente de quais as dimensões máximas (peso, comprimento e largura) que a companhia aérea permite que leve consigo. Procure cumprir escrupulosamente as dimensões da bagagem, porque se a mala tiver mais um centímetro do que o estabelecido pela empresa, muito provavelmente terá de pagar a taxa de bagagem para embarcar as malas. Leia o texto Como garantir que não paga excesso de bagagem?

- Não se esqueça de colocar na mala uma pequena refeição preparada de casa, algo simples para não ter de pagar mais caso fique com fome durante a viagem.

- Outra dica importante: Seja bastante pontual no dia do voo, porque as companhias aéreas ‘low cost’ são muito rigorosas e não costumam esperar por clientes atrasados.

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