Vencer numa entrevista de seleção

Chegou o momento que tanto desejava: foi selecionada para uma entrevista de trabalho!

Comece desde já a preparar a vitória, estabelecendo como objetivo: criar a melhor impressão possível no entrevistador. Saiba o que depende de si para o sucesso e comece desde já a preparar-se.

A impressão que causa desde o primeiro contacto com a empresa é muito importante. Há já uma expectativa da parte do empregador de acordo com o currículo que enviou e a forma como apresentou a sua candidatura. Essa impressão continua a ser construída quando lhe telefonam a marcar a entrevista. Seja simpática e sorria – sorrir quando fala ao telefone torna a sua voz mais agradável, transmitindo uma atitude positiva.

Preparação para a entrevista

1- Conhecimento da empresa

Pesquise tudo o que conseguir sobre a empresa a que se candidatou. Tenha em atenção o setor em que actua, a visão, missão e valores que normalmente são apresentados no site da empresa, os diversos departamentos existentes, o que a diferencia face a outras (produtos ou serviços inovadores, prémios recebidos), artigos de jornal ou revistas que a refiram. Identifique os aspetos positivos que em seu entender a caraterizam e construa um esquema com essa informação. Lembre-se que um candidato que conhece bem a empresa e revela entusiasmo e interesse por saber mais começa a diferenciar-se face aos outros.

2 – Estudo dos requisitos da função e do perfil do candidato

Avalie cada um dos requisitos exigidos para o desempenho da função de acordo com o seu currículo. Em relação aos requisitos pedidos que considera possuir, identifique todos os aspetos que se lembra, ou recorra ao seu currículo para ter bem presente o que deve indicar na entrevista, caso lhe perguntem.

Se há algum requisito que considera não possuir e mesmo assim foi selecionado para a entrevista, à partida não é um fator eliminatório. Analise cada um dos requisitos pedidos e não possuídos (ou possuídos, em parte) na perspetiva do que poderá vir a desenvolver de acordo com o seu potencial, de uma forma honesta e objetiva. Elabore um comentário para cada um, como por exemplo ao exigirem fluência numa língua estrangeira que até estudou, poderá transformar essa fragilidade à partida (não ser fluente no momento presente) numa força. Para isso, deve referir a sua facilidade na aprendizagem de línguas, levando-o rapidamente a corresponder a esse requisito. Deve fazer essa análise com sinceridade, pois caso contrário poderá afirmar algo que não poderá cumprir. Ao fazê-lo é uma forma de descredibilizar toda a restante informação.

Siga a mesma estratégia na análise do perfil necessário. Identifique as razões encontradas para justificar que por exemplo é uma pessoa com facilidade de comunicação ou que possui capacidade de decisão. Pense em situações profissionais ou pessoais que demonstrem as suas capacidades.

3- Antecipação das perguntas e treino de respostas

Pense nas possíveis perguntas que lhe irão fazer e escreva-as, desde as mais comuns às menos prováveis. Responda a todas tendo em atenção a imagem que quer passar, e estando de acordo com o os requisitos funcionais exigidos e com o perfil necessário para o desempenho da função.

Ensaie as respostas, falando diante de um espelho, ou mesmo gravando em vídeo, pedindo a um amigo que faça o papel de entrevistador. Ao visionar a forma como responde pode verificar a sua postura, gestos, tiques, impressão geral que causa, tendo assim possibilidade de melhorar um conjunto vasto de aspetos.

Nos dias que antecedem a entrevista reserve uns minutos para se imaginar na situação de forma positiva, analisando os pormenores do seu comportamento que pretende pôr em prática.

4- Prepare a sua apresentação pessoal e postura

De acordo com o setor de actividade e a empresa em causa, deve considerar a forma como vai vestido, as cores que deverá usar e adornos. Embora deva sempre considerar a importância de se sentir confortável, caso contrário terá implicações na sua postura, não demonstrando confiança.

É importante que a sua linguagem corporal seja reveladora de tranquilidade, controlando sinais exteriores de nervosismo, como por exemplo: excesso de movimentação corporal enquanto espera na sala, ou já na entrevista. Sente-se de forma confortável na cadeira tentando descontrair os seus músculos, pois estando contraído será mais difícil raciocinar e demonstrar à-vontade.

Antes de ir à entrevista tente ter tempo para se descontrair, lembre-se que se preparou, confie nas suas características, nas suas capacidades e na vontade de triunfar.

Durante a entrevista – o que fazer e o que nunca fazer

Chegue uns minutos antes da hora, mais vale esperar 5, 10 minutos, do que esperarem por si. O cumprimento do entrevistador é um momento fundamental de criação de uma impressão positiva. A sua postura tem de revelar no primeiro momento cordialidade e auto-confiança, por isso mostre um sorriso autêntico e caloroso, e um aperto de mão com vigor, demonstrando vontade de estabelecer uma relação com o entrevistador.

Há que ter a noção que por vezes o facto de querer passar uma imagem que em muito não corresponde ao seu padrão de comportamento, leva-o a exagerar, criando mal-entendidos. Por isso note que é importante mostrar confiança e não arrogância, vontade de triunfar pelo seu trabalho, e não destruir o trabalho dos outros, vontade de melhorar continuamente as suas competências, e não falta de confiança em assumir novos desafios, ser persuasivo, e não querer impor as suas ideias à força.

É importante igualmente ter a noção que por mais objetivo que um entrevistador pretenda ser está sujeito a enviesamentos perceptivos, os quais são inerentes a qualquer processo de avaliação profissional, como por exemplo alguns dos que se seguem.

Primeiras impressões

Formadas por características físicas (e.g. constituição física), comportamentos não verbais (e.g. modo de vestir, cores utilizadas, gestos, tom de voz, expressão facial) e verbais (e.g. tipo de linguagem utilizada, constituição frásica).

Profecias auto-confirmatórias

Expectativas do entrevistador conduzem a interpretações confirmatórias face aos comportamentos do candidato.

Efeito de Halo e de Horn

Uma característica positiva ou negativa, a qual possui grande relevância para o entrevistador, tem o poder de influenciar a avaliação do candidato no seu global.

Erro fundamental de atribuição

Comportamento do candidato atribuído a características de personalidade e não ao facto  de estar numa situação de entrevista.

Estereótipos

Atribuição da pertença do candidato a um determinado grupo social a partir da identificação de características físicas e psicológicas.

Tendência central

Todos os candidatos são avaliados utilizando uma pontuação de nível médio.

Leniência

Todos os candidatos são avaliados de forma favorável, acima da média.

Severidade

Todos os candidatos são avaliados de forma desfavorável, abaixo da média.

Efeito de contraste

Avaliação por comparação contrastante com candidatos prévios.

Efeito de similitude

Favorecimento de candidatos que partilham dos mesmos valores, atitudes ou interesses do entrevistador.

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