Rita Franco de Sousa

Uma psicóloga rodeada de “Pulguinhas”

Parece uma miúda, tal o seu aspeto franzino e alegre, mas já é crescida. Rita Franco de Sousa é psicóloga, mãe de três filhos e empresária. O gosto pela costura levou-a a fazer o enxoval do primeiro filho e hoje faz disso o seu modo de vida. “Pulguinhas”, o nome carinhoso que chama aos filhos, inspirou-a para criar a sua marca que está a fazer tanto sucesso que supera todas as suas expetativas.

Ainda trabalha como psicóloga?

Trabalho há 11 anos no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil, mas vou sair no próximo mês.

Porquê? Foi despedida?

Não, fui eu que me despedi, em função das pulguinhas. De todas elas, do projeto pulguinhas e também das três pulguinhas lá de casa.

Como nasceu este projeto?

Foi com o nascimento do Simão, o meu primeiro filho, que tem agora seis anos; o Mateus tem três, e o Lourenço cinco meses. A partir do momento em que engravidei comecei a fazer o enxoval e isso deu-me um prazer enorme.

Já costurava antes?

Nunca aprendi a costurar mas, dada a minha estatura minorca, sempre tive necessidade de fazer apertos e subir bainhas na minha própria roupa. Usava nessa altura uma máquina de costura minúscula que a minha avó me ofereceu e que foi essencial para dar os primeiros pontos. Até arrisquei modificar o quarto fazendo uma colcha e cortinados novos o que me deixou radiante. Já na faculdade, para descontrair dos exames, fazia a minha própria roupa, que não ficava lá muito bem feita mas era muito divertido...

Ia comprar os tecidos e depois fazia as peças em casa?

Esse processo todo dava-me um grande prazer. Costurava sem moldes, ficava tudo torto mas só eu é que percebia. Quando fiquei grávida do Simão, e como sou incapaz de estar quieta, meti mãos a obra e criei todas as peças necessárias ao bebé sem ser propriamente roupa.

Que tipo de peças?

A toalha avental, uma peça essencial para o banho que facilita imenso a rotina dos pais, o porta fraldas, para manter penduras as fraldas do bebé sem ocupar espaço no quarto, os lençóis para o berço e para a cama de grades, o avental de amamentação, o necessaire para levar para a maternidade e para os pequenos passeios, o muda fraldas e muitas outras peças essenciais ao ninho dos bebés. Muitas dessas peças iam surgindo à medida das necessidades. Quando nasceu o meu segundo filho fiz um sling e outros objetos igualmente necessários, tais como as malas com o muda fraldas incorporado. Foi nessa altura que as minhas amigas começaram a encomendar-me coisas e aos poucos vieram os amigos dos amigos e nunca mais parou. 

Quantos objetos faz com a sua marca?

Nesta altura já faço mais de 20 peças diferentes. Para além dos artigos de maior necessidade também faço fatos de banho e chapéus a condizer com as toalhas de praia, lacinhos, toucas e gorros. O grande objetivo da Pulguinhas é simplificar a rotina dos pais e dos bebés. São peças de grande versatilidade, já que, todas elas, têm duas ou três funções e a sua utilização não se esgota nos primeiros meses do bebé.

Como assim?

A sapateira, para além dos sapatos, dá para guardar os produtos e pode ficar pendurada na parede ou atrás de uma porta, sem ocupar espaço no quarto. Transforma-se numa mala para poder ser levada nas viagens do bebé. A botija de sementes ajuda nas cólicas do bebé e a mãe na subida do leite, para além de aquecer a cama do bebé nos dias mais frios. O saco multiusos serve como necessaire para levar para todo o lado e também para ter em casa e comodamente mudar a fralda do bebé onde for necessário. Também está pensado para pendurar no carrinho do bebé ou nas grades da cama para guardar o pijama.O avental de amamentação, serve para dar privacidade à mãe enquanto amamenta mas também protege o bebé do sol e do vento durante os passeios... É só prender no carrinho! Os sacos Pulguinhas estão desenhados a pensar na ida para a maternidade, nos pequenos e grandes passeios, servindo também como necessaire e mala de viagem. O muda fraldas envolve o saco, otimizando o espaço no interior da mala.

É assim que um hobby se transforma numa coisa séria?

Quase sem dar por isso, há três anos já costurava todos os dias até às quatro da manhã e dei-me conta que precisava mesmo de criar uma estrutura mais profissional, uma vez que não sou costureira e as peças até não ficavam tão perfeitas como eu gostaria. Comecei por contratar uma costureira para me ajudar e hoje já tenho seis.

Agora já não trabalha em casa?

Não costuro em casa, com exceção das fraldinhas personalizadas, mas a minha casa está transformada num armazém da Pulguinhas. Como não tenho loja, recebo as encomendadas através da Internet, e envio para a morada indicada, ou as pessoas vão buscar a minha casa.

É este o novo rumo que quer dar à sua vida?

Sim. Foi uma decisão que demorou dois anos, mas está definitivamente tomada. Refleti muito sobre isto, uma vez que sou psicóloga e também adoro a área que escolhi, mas com a ajuda do meu marido chegamos à conclusão que este negócio me traz mais ganhos familiares uma vez que deixo de ter horários rígidos e posso gerir o meu tempo de forma ter mais disponibilidade para as crianças.

Sem dúvida. No último ano superou em muito aquilo que eu imaginava...

Porquê Pulguinhas?

Porque quando engravidei, comecei a chamar pulguinha ao meu primeiro bebé e tudo começou pelas coisas que fiz para ele.

O melhor da vida está a ser ver crescer as verdadeiras pulguinhas?

Sem dúvida. Ser mãe é uma paixão, é tudo o que eu mais queria e também foi por eles que eu e o meu marido decidimos dar este passo. Se não fosse ele possivelmente não teria coragem para deixar o meu trabalho para me dedicar inteiramente ao novo projeto.

Criar três filhos tem sido uma tarefa fácil?

Está a correr bem. Os meus filhos são todos diferentes, mas talvez o Mateus, de todos eles, tenha sido o mais difícil, porque é o mais irrequieto. Mas eu também sou uma mãe muito descontraída, o que torna tudo mais fácil.

O seu marido também é psicólogo?
Não, é designer.

Que programas fazem com as crianças aos fins de semana?

Vamos ao jardim, andamos de bicicleta, ou brincamos com eles no jardim dos avós. Quando está a chover, o Simão e o Mateus adoram ir ao cinema. Espero que a partir de agora, quando me desligar definitivamente do emprego, passe a ter mais tempo para fazer coisas com eles.

Gostava de ter uma filha?

Adorava. As minhas coisas para meninas são dignas de princesas! Mas ter quatro filhos já é uma logística muito complicada... até um carro deixa de ser suficiente.

O seu marido também é um pai presente?
É um pai muito extremoso e ajuda-me imenso, sobretudo com os mais velhos. O ídolo do Simão é o pai. 

artigo do parceiro: Palmira Correia

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