Pedro Mota: a paixão da fotografia

Tem 40 anos, é designer gráfico mas é um apaixonado pela fotografia desde criança. Hoje considera que a fotografia é o esplendor máximo da sua criatividade. Pedro Mota fotografa automóveis antigos e fá-lo tão bem que já há revistas nacionais e internacionais a querer publicá-las.

Há quantos anos se apaixonou pela fotografia?

Desde que me conheço. Quando acabei o secundário, apesar de gostar muito de artes, acabei por ir para um curso de engenharia. Curiosamente saí de engenharia para ir trabalhar como arte finalista numa editora.

As voltas que a vida dá...

É verdade. Comecei na fotografia analógica desde muito cedo mas sempre com a componente digital. De tal forma que assim que saiu o primeiro digitalizador de película fotográfica, fui imediatamente comprá-lo e comecei a associar a fotografia analógica ao digital, à conversão, manipulação fotográfica, Photoshop e todas as suas vertentes...

É um hobby?

Completamente. Não faço disto profissão e até gosto muito do que faço, mas a fotografia é o esplendor máximo da minha criatividade. No entanto, é graças ao meu trabalho que eu vou podendo brincar com as máquinas que infelizmente são muito caras.

Gosta de alguma fotografia específica?

Acabei por vir parar ao desporto automóvel e junto dois prazeres: a paixão dos automóveis e o gosto pela fotografia. Infelizmente é uma área que em Portugal, na componente de fotografia de estúdio, não existe. Também gosto muito de fotografia de moda e de paisagem.

As suas fotografias são muito bonitas. Já fez alguma exposição?
Ainda não. A minha exposição é a Internet. Ainda não sei como é possível explorar e tornar a fotografia uma coisa mais séria.

Tem consciência que a fotografia está na moda?

Antes fosse há 20 anos onde quem tinha uma máquina fotográfica era fotógrafo. Hoje em dia toda a gente tem uma máquina fotográfica no telemóvel. Logo é mais difícil separar o trigo do joio.

A qualidade nem sempre abunda...

Quase sempre em termos técnicos e até de trabalho, mas o que é certo é que essas pessoas vão fazendo trabalhos e vão mostrando as suas potencialidades em termos fotográficos.

Fotografa os automóveis na rua?

É muito técnico, uso sempre flash e Photoshop. Gosto especialmente de fotografar automóveis clássicos e, curiosamente, há cada vez mais mulheres a comprar automóveis antigos. Depois coloco as fotos na net e tenho algumas que estão a fazer furor por esse mundo fora... sei que vão começar a aparecer em revistas da especialidade nacionais e internacionais. São trabalhos pro-bono mas que eu espero que as pessoas divulguem.

A fotografia ainda não lhe deu dinheiro. Por enquanto só o fez gastar...

A paixão é isso mesmo. Quem me dera a mim transformar-me num Mario Testino ou num Michael Furman...

Quer chegar onde?

Talvez por estar no meio editorial, seria tornar-me um Michael Furman e fazer um catálogo de uma belíssima coleção automóvel. Sei que ele agora vai fazer um grande catálogo e quem sabe, talvez um dia, seja eu... 

Gasta uma fortuna em material fotográfico?
Gasto. Como o trabalho é muito técnico exige muito material e o mais caro de tudo é o ciclorama, ou seja, um estúdio totalmente coberto a branco sem arestas, e o carro fica lá no meio. Isto exige um grande estúdio.

Como é que as pessoas podem ver as suas fotografias?

Podem visitar o meu site: www.hdr.pt

Quantas horas por dia gasta com a fotografia?

Para tirar três ou quatro fotografias demoro mais de uma hora. Enquanto numa sessão fotográfica se tiram 300 ou 400 para escolher uma ou duas, aqui tiram-se 50 fotografias para compor uma fotografia final. São muitas horas com a máquina na mão.

A composição fotográfica é a sua arte?

Sim, embora eu seja anti-artista. Reconheço, no entanto, que há fotografias que são verdadeiras obras de arte.

Só se destaca quem é inovador?

Inovar é fundamental mas também temos de evoluir tecnicamente. Senão é mais um a fazer bonecos!

A máquina fotográfica anda sempre consigo?

Sempre, não viajo sem levar a máquina comigo. O meu equipamento ocupa o porta-bagagens todo. Outra coisa que gosto de fotografar são interiores de igrejas e um dia ainda hei-de fazer um livro com esse material.

Já fotografou tudo?

Acho que sim. Até já fiz fotografia macro em que estamos a cinco centímetros de um zangão ou de uma osga...

Imagina-se daqui por uns anos a viver da fotografia?

Sem dúvida. Mas também sou realista ao ponto de saber que é extremamente difícil viver de uma paixão em Portugal.

Como é a sua vida pessoal: é casado, tem filhos?

Sou casado mas não tenho filhos por opção. Um dia poderei arrepender-me, mas, por enquanto, estou bem assim.

Outros gostos, outros hobbies, outras ambições...

Sabe, a vida de trabalho é muito complicada. As coisas começam a toldar-nos o espírito e nós não saímos disto: casa-trabalho-trabalho-casa.

Ao fim de semana está com amigos?

Às vezes estou, mas só com pessoas mais velhas. Os meus amigos são todos mais velhos do que eu. Sou muito responsável, por isso todas as decisões da minha vida são ponderadas de forma a não haver deslizes...

Não faz loucuras?

Já as fiz quando era novo.

Cozinha?

Vou aprendendo.

Viaja?

Viajo sobretudo em Portugal. Raramente vou para o estrangeiro porque temos um país tão bonito que vale a pena conhecer.

Vê televisão?
Muito raramente. Só vejo notícias porque tento manter-me informado o máximo que posso.

E lê?

Leio muito. Trabalho numa editora e como leio sobretudo livros técnicos, aprendo imenso.

Está preocupado com o futuro do país?

Estou extremamente preocupado.

Texto: Palmira Correia

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