«O preconceito em relação ao que é português está completamente ultrapassado»

Inês Lopes é uma jovem empresária no mundo da moda

Tem apenas 21 anos e acaba de festejar o primeiro aniversário da sua loja Trendy Lovers no Centro Comercial do Campo Pequeno, um negócio que passa ao lado da crise e está a correr muito bem! Inês Lopes é licenciada em comunicação empresarial e agora faz uma pós-gradução em merchadising e design store para chegar ainda mais longe no negócio da moda. E já sonha com a próxima loja...

É empresária há um ano. Que balanço faz desta experiência?

É uma grande responsabilidade, mas dá-me muito prazer. Gosto do contacto com o público, de atender o cliente e criar iniciativas diferentes. E esta festa do primeiro aniversário marca isso mesmo: estamos há um ano no mercado e está a correr bem.

De quem partiu a iniciativa de abrir esta loja?

Terminei o curso de comunicação empresarial este ano e assumi a responsabilidade da loja. Antes fiz alguns trabalhos temporários, mas posso dizer que este é o meu primeiro trabalho a tempo inteiro.

Trabalha muitas horas por dia?

Muitas mesmo. Trabalho todos os dias, muitas horas por dia, sem folgas nem paragens. Para além do trabalho na loja, tenho todo o trabalho de bastidores, atendo fornecedores, marco reuniões, contrato empregados, ou seja, tudo o que tem a ver com a loja é feito por mim.

E tem a preocupação de só ter marcas portuguesas na sua loja?

Sim. Se um cliente me pedir uma determinada marca que não seja nossa, eu tento arranjar, mas, na loja, todos as marcas de sapatos e roupa são portuguesas. De preferência, marcas de pequenos produtores e designers para ter coisas diferentes.

Os portugueses renderam-se às nossas marcas?

Completamente. O preconceito em relação ao que é português está completamente ultrapassado. Agora as pessoas exigem marcas portuguesas e investem preferencialmente no que é nacional, sobretudo ao nível do calçado.

Estamos ao nível do melhor que se faz no mundo.

Sem dúvida. Este ano a marca portuguesa de sapatos Felmini foi capa da Vogue em Itália.

Veste preferencialmente jovens, ou mulheres de todas as idades?

De todas as idades, tento ter um bocadinho de tudo. É arriscado apostar num único target, e, como este centro comercial é muito abrangente, tento dar aquilo que o cliente pretende.

Como é que sabe o que uma mulher de 40 ou 50 anos gosta?

Faço muita pesquisa de campo, consulto muitos blogues, leio muitas revistas, vou às feiras internacionais de moda e estou sempre a observar as pessoas. Até quando estou no café não deixo de estar atenta àquilo que as pessoas vestem. É essa observação que me ajuda a formar opinião sobre aquilo que as pessoas gostam.

Os atores também fazem esse trabalho de campo, é muito curioso...

Para além disso, já tenho o cliente habitual e, aos poucos, vou conhecendo o gosto de cada um e isso cria uma aproximação. Às vezes também pergunto às amigas da minha mãe ou a algumas clientes com quem tenho mais intimidade se vestiriam determinada peça para perceber o que posso introduzir na próxima coleção.

Quando estava a estudar qual era o seu plano?

Queria fazer medicina mas como achei que não ia dar uma boa médica, nem sequer uma boa farmacêutica, decidi mudar o rumo à minha vida e fui para comunicação. Foi aí que encontrei a minha vocação e agora ainda mais ligada à área da moda!

A moda está a apaixoná-la?

Muito. Agora que me interessei pelo bichinho da moda, é muito difícil largar...

Acha que este vai ser definitivamente o seu caminho?

Claro que sim. Neste momento estou a apostar ao nível da formação, a tirar uma pós-gradução em merchadising e design store, ou seja, estou a focar-me para continuar nesta área.

Qual é o passo seguinte?

Abrir outra loja, de preferência, em Lisboa.

Toda a gente se queixa da crise. A si passa-lhe ao lado?

Há crise, mas como eu procuro tudo o que é diferente e aposto nas marcas nacionais, e tenho ótimos fornecedores com um conhecimento do mercado fantástico, que me ajudam imenso, e até me acham graça por eu ser a cliente mais nova, assim, consigo satisfazer as necessidades dos meus clientes.

Levaram-na sempre a sério?

No início não foi fácil, e foi mesmo complicado ganhar a confiança desses fornecedores, mas, quando perceberam que eu não brinco em serviço e trabalho a sério, passaram a tratar-me de outra maneira. 

É uma trabalhadora incansável?

Sou. Trabalho bem para o meu cliente e gosto que trabalhem bem comigo, ou seja, conto que o meu fornecedor ajude quando eu preciso.

Se eu chegar à sua loja e lhe pedir um fato para uma ocasião especial, consegue arranjar essa peça?

Claro que sim. Quando não tenho vou à procura, e isso acontece sobretudo com a bijutaria. Com a roupa também já tem acontecido, vou à procura de tudo o que me pedem.

O seu objetivo é ser stylist?

Gostava muito. E tento dar essa formação às minhas colaboradoras que neste momento já são três. Estou sempre a dar-lhes formação sobre o tipo de atendimento ao cliente que eu quero que elas façam.

O nome que escolheu para a sua loja, Trendy Lovers tem uma história?

Procurei que tudo o que tenho dentro da loja fosse trendy e atual, e assim surgiu a marca. O lovers é a minha paixão por esta loja.

Tem uma roupa diferente do normal. A sua maneira de vestir também se alterou desde que abraçou o negócio da roupa?

Muito. Visto só roupa da loja: no dia a dia uso roupa mais simples, enquanto numa festa procuro usar tudo o que posso. E o mais engraçado é que, às vezes, as pessoas na rua perguntam-me onde comprei determinada peça que estou a usar.

O que diz a essas pessoas?

Digo que é da minha loja e dou-lhes um cartão através do qual também recebo muitas encomendas. Basta ir ao facebook e escrever Trendy Lovers. Como tenho acordos com transportadoras, as peças chegam rapidamente a qualquer ponto do país.

Qual é o seu sonho pessoal?

Continuar nesta área, ter muitas lojas e ser feliz.

Quem está a ajudá-la?
Os meus pais. Cada um tem a sua profissão mas ajudam-me muito, um na parte financeira e outro na área jurídica. Os dois são o meu pilar.

Tem irmãos?

Não, sou filha única. 

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