O impressionante negócio da previsão de tendências

Sabe o que faz um trend forecaster? Em Portugal, correr mundo em busca de inspirações ainda não é profissão mas, lá fora, há cada vez mais marcas à procura deles

Viajar pelo mundo à procura de inspiração e ser pago por isso? Pois é, o trabalho de um trend forecaster parece bom de mais para ser verdade, mas é real. É quase como se fossem os olheiros do mundo do futebol. Desde a década de 1960 que a profissão existe, mas desde então tem mudado muito o seu propósito. No início, os trend forecasters serviam sobretudo para detetar tendências que já existiam mas, atualmente, o seu trabalho está totalmente direcionado para o futuro. Linda Defranco é uma das mais antigas e também uma das mais (re)conhecidas.

Trend forecaster na empresa Cotton inc, contou em entrevista ao jornal New York Times que, em 2003, andava por Estocolmo, na Suécia, quando reparou que muitos adolescentes enrolavam a bainha dos jeans de maneira a que ficassem mais justos no final da perna. Foi a partir desta observação que previu o boom dos skinny jeans, reportando nesse sentido. Apenas três anos depois, o mercado mostrou que ela havia acertado e uma nova tendência estava lançada, com as marcas a apostar em força neste tipo de produto.

Os trend forecasters partem para diferentes pontos do globo em viagens de investigação e observação e, posteriormente, filtram e compilam o material que reuniram em diferentes cadernos temáticos. Para ter acesso a estes cadernos que oferecem um vislumbre daquilo que o consumidor vai ser e querer daqui a alguns anos, as empresas que produzem bens de consumo estão dispostas a pagar bom dinheiro.

Não estando apenas direcionados para a moda, os cadernos de previsão de tendências dedicam-se a variados temas, como alimentação, design, arquitetura, sendo versáteis na sua utilização. Virando páginas cheias de fotografias maravilhosas, silhuetas e amostras de tecidos, os diretores de marketing conseguem perceber a direção que o mercado vai seguir e criar produtos que vão ao encontro da necessidade do cliente ainda antes de ele a sentir.

Texto: Ana Brasil com Luis Batista Gonçalves (edição online)

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