Novos hábitos e novas ideias geram novos negócios

Como a crise está a criar uma nova geração de empreendedores

Edna Rocha tem 27 anos. Estava desempregada há dois, depois de ter trabalhado em vários ateliês de costura, quando resolveu dar um novo rumo à sua vida.

Criou o Edna Rocha Atelier, um negócio de comercialização de roupas e acessórios, que assenta numa plataforma digital que não podia ser mais simples, uma página do Facebook.

«As peças que crio são essencialmente colares, gargantilhas, pulseiras e até mesmo algumas peças de vestuário. Alguns dos materiais que utilizo são missangas, cordões de seda, cristais, tecidos variados, correntes e fio de algodão. Inspiro-me sobretudo nas tendências, nos elementos da natureza e até mesmo em outras técnicas já existentes, interpretadas à minha maneira, como por exemplo, a técnica da filigrana. Todas as peças criadas são peças únicas», explica a empreendedora.

Mónica Nunes Pereira é outro exemplo de uma mulher que resolveu abandonar uma carreira mais ligada às contas e aos números para criar a De Fio A Pavio, um projeto criativo, também ele suportado numa página de Facebook. Além de bijutaria, confeciona acessórios decorativos em tecido, roupa, decorações em cartão, sacos perfumados de trigo e alfazema que (depois de aquecidos no
micro-ondas) aliviam dores e muito mais.

«De Fio a Pavio porque pretendo mostrar coisas que vou fazendo e outras de que gosto muito. Como estou sempre a ter novas ideias, não sei o que pode sair... Para já, posso dizer que serão coisas simples. O meu lema é less is more [menos é mais]», justifica a criadora. Estes são, no entanto, apenas duas faces de uma nova geração de empreendedores que se está a esforçar para ultrapassar a crise e para desenvolver novas ideias de negócio.

São seirinhas, senhor!

Já tem uma alcofa ou uma cesta de palhinha? Não há nada mais cool do que ir ao mercado fazer compras com um acessório reutilizável e trendy. Não é preciso procurar muito para encontrar estes artigos à venda. Qualquer feira de artesanato os tem. E em cada loja de roupa e acessórios há pelo menos uma. Mas as nossas preferidas são as da Aline Capela.

As suas cestas ou seirinhas, como lhes chama, são ricas em detalhes e «fruto de dias de costura manual em que privilegiamos a perfeição possível», explica. Aline in Wonderland foi o nome que deu a este projeto que não tem parado de crescer. Os modelos low cost custam 40€, embora os modelos mais procurados sejam, curiosamente, os mais caros.

Seirinhas

Roupa em segunda mão

Joana’s Closet é um projeto recente que fala bem da tendência de roupa em segunda mão. O conceito é angariar e vender em segunda mão e customizar roupa nova e acessórios. A ideia partiu de Joana Cameira depois de fazer uma limpeza ao seu armário.

«Dava sempre a minha roupa e desta vez tentei vendê-la na Feira das Almas», confessa. «Correu muito bem e decidi continuar. Quando já não tinha roupa, fiz o mesmo com as coisas das minhas amigas», diz.

«Tento ter coisas giras, atuais e com preços low cost, de outra forma as pessoas preferem ir às lojas», acrescenta. Por exemplo, uma t-shirt personalizada pode custar 5€ Procure-a na Feira das Almas, em Lisboa,ou no Coolares Market, em Sintra.

Colar

Um mercado de charme

Uma quinta centenária na estrada principal entre Almoçageme e Colares foi transformada no mercado mais cool que abriu nos últimos anos em Portugal. Ganhou o nome Coolares Market e é mesmo isso.

Um mercado de charme com um bocadinho de tudo, incluindo artesanato, design, bijuterias, roupa nova e de segunda mão, arte, aguarelas, patchwork, decoração, mobiliário, produtos de beleza, artigos gourmet...

Mas «tudo em versão selecionada e de muito bom gosto», explica a fundadora do projeto, Mafalda Anjos. Os preços também são low cost, porque os vendedores «adaptam a oferta em tempos de crise». A não perder nos últimos fins de semana de cada mês, das 11h às 19h.

Coolares

Aventura em pão de forma

As VW Kombi foram um ícone nos anos 60, símbolo da cultura hippie. Nos anos 70, foram a grande moda em toda a Europa, Estados Unidos da América e Canadá. E agora estão de regresso e fazem as delícias de cada vez mais portugueses.

Já não são só os surfistas e os turistas que querem viajar numa pão de forma. Siesta Campers é o nome de uma pequena empresa criada pelos ingleses Claire e Loyd. Depois de viajarem pelo mundo, escolheram o Algarve para fazerem vida.

Compraram uma quinta perto de Tavira e é aí que recuperam e alugam as famosas Kombi. Uma solução de férias barata para quem quer viajar sem destino, sem velocidade, com liberdade para pernoitar onde quiser.

Pão de forma

Festas com muito mais cor

A procura do bolo ideal para o aniversario da filha, Maria Beatriz, aliado ao gosto que Ana Rute Sousa tem pela cozinha e pelos doces levou esta assistente de marketing, residente da região de Lisboa, a investir em part-time na arte do cake design. Depois de muitas pesquisas na internet e de algumas experiências iniciais que foram bem sucedidas, nasceu a Não coma os Meus Bolos.com.

Os bolos e recheios que Ana Rute Sousa confeciona são totalmente caseiros e artesanais e feitos sem pastas comerciais nem misturas para bolos em saco. «Com imaginação e muita dedicação, saem bolos, cup cakes, cake pops e muito mais… Muito doces e com muito carinho», assegura a empreendedora.

Os preços por quilo ou unidade variam consoante os trabalhos. A cobertura da encomenda mais complicada que teve até hoje demorou mais de cinco horas a ser preparada.

Bolo  

A mania dos bolos

As festas de aniversário de crianças podem ser uma dor de cabeça para quem quer um bolo bonito, saboroso e que deixe os miúdos em delírio, sem gastar muito. Mas um dos serviços que mais tem crescido em Portugal nos últimos anos são os de doçaria artesanal. Pessoas que nasceram com jeito para a culinária e para os trabalhos manuais e que fazem as delícias de miúdos e graúdos.

Como Susana Costa, a fundadora da Cake Mania, que está com as mãos na massa há quatro anos e apostou no conceito de bolos de aniversário low cost. Os bolos têm dois quilos e custam 25€. «A qualidade é exatamente a mesma. A diferença é que são bolos menos trabalhosos. E tempo é dinheiro», defende mesmo a empreendedora.

Bolo

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