Filipa Muñoz de Oliveira

A dona dos quiosques Wink já pensa em expandir a marca para fora de Portugal

Tem 37 anos e uma energia que contagia todos à sua volta. Licenciada em Gestão pela Universidade Católica e mãe de duas crianças, uma filha de nove anos, e um rapaz de três, Filipa Muñoz de Oliveira abriu o primeiro quiosque Wink para arranjar sobrancelhas com linha, nas Amoreiras há seis anos, e, de então para cá, nunca mais parou de crescer. Já tem 12 quiosques e duas lojas, emprega 65 pessoas, e não esconde o orgulho que isso lhe dá.

Como é que nasceu esta ideia de abrir quiosques para arranjar sobrancelhas com linha em Portugal?

Fui viver para Londres em 2002 e trabalhava em televisão na área do marketing. Um dia entrei num centro comercial e vi umas senhoras indianas a trabalhar com uma linha e fiquei tão curiosa que não resisti a experimentar. Desde aí passei a arranjar as sobrancelhas sempre com linha.

Gostou logo do resultado?

Adorei. Como tenho as sobrancelhas grossas sempre tive muita dificuldade que mas arranjassem bem, por isso nunca mais quis outra coisa. Entretanto o meu marido teve uma proposta para voltar a trabalhar em Portugal e eu comecei a pensar o que iria fazer aqui. A primeira ideia foi chegar cá e procurar emprego.

Então como se lembrou de trazer este negócio para Lisboa?

Um dia estava a arranjar as sobrancelhas ainda em Londres e tive um clique: porque não levar este conceito para Portugal? Lembrei-me que a Nails’4’Us tinha aberto com sucesso quiosques só para arranjar unhas, por isso decidi arriscar.

O que lhe disse a sua família?

Quando disse à minha família que ia abrir quiosques para arranjar sobrancelhas com linha acharam que eu estava louca. Mas eu sentia que não tinha nada a perder até porque nessa altura ainda não se falava em crise. Estávamos em 2007!

E fez o teste nas Amoreiras?

No início os responsáveis do centro ficaram algo céticos, mas acabamos por “fechar negócio”, e o primeiro mês foi logo um sucesso! Fomos crescendo e, pouco tempo depois, já andava à procura de um novo espaço. E assim surge o Saldanha, o Vasco da Gama, Oeiras, Cascais, Colombo...

Quantos quiosques tem atualmente?

Temos 14 lojas, 12 quiosques e 2 lojas fechadas (sendo 2 destes espaços em Franchising). Nesses espaços fazemos extensões de pestanas com 2 tipos de materiais: sintéticas e de seda. Tintura e permanente de pestanas, tintura e permanente de sobrancelhas, ideal para quem tem remoinhos e quer que as sobrancelhas fiquem direitinhas, e, finalmente, temos henna para desenhar sobrancelhas.

A tinta que as indianas usam para pintar as mãos?

Exatamente. Esta tinta temporária, ideal para quem não tem sobrancelhas, pigmenta a pele e temos todo o tipo de tonalidades, desde o louro ao preto. 

Quanto custa arranjar as sobrancelhas nos seus quiosques?

Nove euros e meio. A henna custa 30 mas já inclui o design das sobrancelhas

Os seus quiosques estão em que pontos do País?

De Almada até Braga.

Como consegue gerir um negócio com esta dimensão com duas crianças??

Não é fácil. Consigo graças ao excelente apoio que tenho na Wink, a minha equipa é ótima, aposto muito na independência das gerentes de cada loja, e tenho uma supervisora que trabalha muito próximo com as gerentes e visita frequentemente todas as lojas. No entanto, desde que me levanto até que me deito, nunca desligo.

Quantas pessoas emprega?

Já tenho 65 funcionárias.

O que lhe dá mais prazer neste negócio?

A gestão. Como sempre trabalhei por conta de outrem, fazia o que me mandavam, e só agora tenho liberdade total para pensar tudo o que vou fazer com a marca, nomeadamente, criar outros serviços, como quero comunicar, que posicionamento quero ter da marca, as cores, tudo.

Até já tem produtos de marca própria.

Que surgiram na sequência dos pedidos das nossas clientes. Temos desmaquilhante, lápis para sobrancelhas, fortificante e fixante. E vamos lançar em breve o eye liner e o rímel próprio para quem tem extensão de pestanas.

Ouve tudo o que lhe dizem?

Sempre. Apoio-me muito na equipa e estou sempre aberta às ideias que me dão.

A crise já chegou às suas lojas?

Um bocadinho. Felizmente não tanto como com alguns negócios.

Qual é o próximo passo?

Estamos a negociar a instalação de alguns quiosques fora do país, nomeadamente no Brasil, Moçambique e Angola.

Onde gostava de chegar?

A todo o lado. Adorava abrir em Nova Iorque.

Está satisfeita com o seu negócio?

Muito satisfeita. É um esforço que tem valido a pena.

O que a descansa?

Viajar. Só quando saio do país é que consigo desligar. Adoro ir ao cinema e fazer exercício físico. Deixo as crianças na escola e vou ao ginásio. Aos fins de semana diverte-me jantar fora com amigos.

É uma sonhadora?

Tenho os meus sonhos tanto a nível pessoal como profissional, mas sou muito racional.

É ambiciosa?

Sou. Se não fosse não conseguia chegar até aqui, apesar de estar sempre a equilibrar as duas vertentes: a profissional e a familiar. Mas estou muito feliz com a vida que tenho.

O seu marido apoia?

Apoia muito, embora nas questões do dia a dia do negócio interfira pouco. Interfere mais nas questões estratégicas. Tem o trabalho dele que o absorve muito.

Ver crescer um projeto que nasceu do nada enche-a de orgulho?

Imenso. Começar com três pessoas e ter neste momento 65 a trabalhar dá-me muito gozo assim como é fantástico ver o entusiasmo das clientes com a marca.

Que tipo de preocupações sociais tem a Wink?

Sempre contribuímos como empresa para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, somos parceiros do Cartão Solidário, estivemos com Um Pequeno Gesto para alimentar crianças em Moçambique, e este ano vamo-nos associar à Laço.

As mulheres com cancro também são vossas clientes??

Sim. O descontrolo hormonal dos tratamentos faz cair as pestanas e as sobrancelhas e faz crescer pelos na cara. Como a pele está mais sensível, o nosso  método é mais sensível e adequado.

Que outros serviços são adequados para essas pessoas

Também nos procuram para fazer sobrancelhas com henna porque é um produto 100 por cento natural, assim como as pestanas de seda que são absolutamente discretas. Ajudar as pessoas é muito motivador.

 

artigo do parceiro: Palmira Correia

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