Fernanda Freitas

Ruma agora à TVI para o programa Autores

Acaba de fazer o pleno das televisões! Depois de ter dado os primeiros passos na RTP2 há mais de 22 anos e de ter feito parte da equipa que lançou o CNL há 14 anos, tornou-se conhecida no entretenimento na SIC, para logo de seguida dar a cara pelo Sociedade Civil, de novo na RTP2, durante sete anos.

Ruma agora à TVI para fazer o que mais gosta: editar os conteúdos de um programa cultural. Fernanda Freitas faz tudo com paixão.

Este programa Autores já tem uma longa história. Curiosamente começou na TVI...

Exatamente. Depois esteve um período na RTP2 para agora voltar à TVI. Em abril ligaram-me a perguntar se tinha algum tempo disponível para fazer a edição de conteúdos do programa.

Nunca lhe propuseram apresentar o programa?

Não. Este programa é uma parceria da TVI com a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e o Paulo Sérgio dos Santos foi sempre o apresentador e assim continuará a ser. Aliás gosto imenso do estilo dele como apresentador - do ritmo e da forma como deixa respirar uma boa conversa…. já era fã!  e como eu já trabalhava com a SPA na parceria com o Sociedade Civil, e, modéstia à parte, sei fazer este tipo de programas e gosto, porque não?

Qual é exatamente o seu trabalho?

Faço reuniões com a equipa e coordenamos os temas e a forma como vão ser tratados. Neste programa cabem todas as pessoas que assinem obra: pintores, escultores, arquitetos, escritores, fotógrafos, compositores, etc. descobrir afinal… o que é ser autor.

Com este trabalho faz o pleno dos canais de televisão...

É uma experiência engraçada e uma dinâmica diferente. A TVI é, indiscutivelmente, uma televisão diferente das outras. A parte mais divertida é cruzar-me com muitas pessoas com quem já trabalhei no CNL, na rádio, e até na SIC. Até chegar à minha sala demoro um tempão porque vou cumprimentando toda a gente que conheço.

Passar para o outro lado causa-lhe algum desconforto?

Para mim não é passar para o outro lado, só não estou a aparecer. Sempre coordenei a emissão do Sociedade Civil, mas, durante um ano e meio, também coordenei o programa da RTP2, Nós, sobre multiculturalidade. De facto não me faz impressão nenhuma porque, embora goste de apresentar, a minha paixão são os conteúdos.

Há a ideia de que os apresentadores não gostam de perder o protagonismo...

E até há pessoas que pensam que estou muito frustrada, e não estou nada! Aliás, o meu afastamento da Sociedade Civil foi um ciclo que se fechou. Foram sete anos de programa diário, 14 prémios e mais umas nomeações que me deram muito prazer, mas acabou!

Ficou a dever-se a alguma incompatibilidade?

Não. O programa ia passar a ser gravado e ainda por cima no Porto. Isso para a minha qualidade de vida familiar ia ser péssimo porque me obrigava a estar ausente de casa três dias. A minha filha estuda em Lisboa e toda a nossa dinâmica familiar está aqui.

Aprende-se muito a fazer um programa diário!

Sem dúvida. Dá uma grande bagagem, só quem faz um direto é que sabe o que se ganha mas também o que se investe num programa diário: exige um grande investimento pessoal, não nos podemos distrair, temos de estar sempre ligados. Só nos últimos três meses é que me dei ao luxo de estar um dia sem ler jornais....

Agora com um programa cultural também mudou o foco das suas leituras?

Estou mais atenta aos autores e às questões culturais. Nos últimos meses, como estive a colaborar com a Comissão Europeia para o Ano Europeu do Cidadão, estive mais ligada às questões europeias. Esta estaleca que nos permite saltitar de um tema para o outro acaba por ser uma mais valia em qualquer vertente.

Que outro tipo de atividades lhe dão prazer?

Moderar conferências, preparar colóquios, escrever artigos, porque eu tenho um lado de produtora que as pessoas não conhecem e que me dá um grande prazer. Faço sempre imensas coisas.

Para além dos contactos humanos que são sempre enriquecedores também se aprende muito?

Aprendo e ensino. Se não ensinarmos o que sabemos e se não aprendemos com os outros, definhamos. É sempre bom aprender maneiras diferentes de trabalhar.

Que idade já tem a sua filha?

Vai fazer 18 anos. Está a acabar o 12º ano e entra em setembro na faculdade de psicologia. Continuamos a viver com os nossos três gatos e estamos muito felizes.

Que programas fazem em conjunto que lhes dê prazer?

Gostamos muito do verbo “gatar” - que é estar em casa, sentadas no sofa, a falar do dia com os gatos em cima, e também gostamos muito de cozinhar, para além de teatro e cinema.

Criar esta filha sozinha foi a melhor experiência da sua vida?

Sem dúvida. Na vida tudo vai e vem - menos os filhos. Esses são para sempre! É a única coisa que temos garantido na vida. Quando fiz 40 anos, a minha filha pôs-me na mesa de cabeceira um postal maravilhoso a dizer: “Tudo na vida é incerto menos tu!” Ainda hoje me comovo, quando me lembro...

Está preocupada com a situação do país?

O que mais me preocupa é o futuro da minha filha e dos jovens deste país que vão ser obrigados a emigrar para terem trabalho. A minha filha, curiosamente, não quer sair de cá; é como eu, aposto na máxima: prefiro mudar o país do que mudar de pais! Vamos ver o que o futuro lhe reserva.

Está quase a acontecer mais um Moda’r Mentalidades?

É no dia 25 de maio no Auditório 1, da FIL - Parque das Nações, uma vez que a Fundação AIP nos cedeu gratuitamente as instalações para organizar a quinta edição deste desfile que junta jovens deficientes numa passerelle inclusiva.

Este evento é sempre muito acarinhado por inúmeras figuras públicas.

É verdade. Juntam-se a nós vários artistas e uma vasta equipa de voluntários na maquilhagem e nos cabelos com o apoio do Zeca Azevedo Oeiras Concept, assim como na produção de moda. Este ano temos roupa do El Corte Ingles. Vai ser uma grande festa!

artigo do parceiro: Palmira Correia

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