Conny Macedo

A alemã a residir em Portugal criou uma agência de avós para todo o mundo

É alemã, vive em Portugal há mais de 20 anos, tem dois filhos, e casou-se com um português com quem um dia se cruzou na praia e disse para si: “É este!” E foi. Em comum têm um filho de oito anos e um restaurante há 15. Mais recentemente, Conny Macedo encontrou outras motivações na vida e criou um site para encontrar avós que ajudam outras mulheres a cuidar dos filhos. Para além disso, dedicou-se ao coaching e já ministra workshops fora de Portugal. Esta mulher não para.

Conheceu o seu marido português em Portugal ou na Alemanha?

No Algarve. Estava deitada na praia, ele passou à minha frente e eu disse: é este! E depois as coisas aconteceram...

Estava de férias?

O meu marido é que estava de férias porque nessa altura ele trabalhava na Suíça, eu já trabalhava no Algarve com as maiores empresas alemãs de turismo. Acompanhava as turistas que vinham da Alemanha passar férias a Portugal.

Vive em que zona do Algarve?

Vivi sete anos em Albufeira, mas agora moro em São Brás de Alportel. Optámos por ir viver para o sossego.

O seu marido trabalha em que área?

Temos um restaurante há 15 anos. Restaurante Fonte da Pedra, em São Brás de Alportel.

Mas há cerca de dois anos começou a fazer outras coisas?

Interessei-me pelo coaching e estou muito entusiasmada. Tenho feito inúmeras formações em Lisboa e conhecido pessoas absolutamente espetaculares. Mais recentemente criei a Granny Agency.

O que faz esta sua agência de avós?

Começou comigo. Afinal, eu também sou emigrante e vivo aqui sem o apoio da minha família, sobretudo dos avós que fazem muita falta.

É uma agência única em Portugal?

Sim. Li um artigo numa revista alemã cujo título era: “Viajar pelo mundo a ajudar os outros”. Em dois anos, essa agência meteu 300 avós em 30 países. Trata-se de um intercâmbio internacional para ajudar as famílias.

Essas mulheres que viajam pelo mundo são reformadas?

São reformadas ou então nunca tiveram qualquer atividade profissional a não ser criar os filhos. Têm mais de 50 anos, a vida estabilizada, e, como têm o espírito aberto, vão viajar, mas, como não querem ficar num hotel dois ou três meses, disponibilizam-se para ficar em casa de famílias com filhos pequenos.

E durante esse tempo fazem parte da família que as acolhe?

Exatamente. Não têm ordenado, apenas têm um quarto e comida, e, em contrapartida, ajudam a tomar conta das crianças. A Granny Agency não arranja trabalho para ninguém, só trata do intercâmbio das pessoas.

Também pode interessar a uma família emigrante no estrangeiro receber uma avó portuguesa?

Neste momento tenho uma banqueira brasileira na Suíça que pretende uma avó portuguesa para viver com ela em Genéve para ajudar a tomar conta do filho pequenino. Tenho famílias em Itália, Brasil, Nova Zelândia, e outros.

Conhece as famílias e as avós de que forma?

Falo com eles pelo Skype, informo-me das suas condições de vida e peço-lhes fotos da casa e da família e faço o mesmo com as avós. Depois ponho-os em contacto uns com os outros e eles acertam os pormenores entre si. Nessa parte já não interfiro.

Quem paga as viagens de avião?

Depende. Quando são as avós que tomam a iniciativa de viajar, pagam elas, mas há casos em que são as famílias que pagam as deslocações e também dão “pocket money”, uma pequena mesada.

Já conseguiu colocar avós em Portugal?

Sim. No Algarve há muitos casais com carreiras profissionais muito preenchidas e que precisam de apoio para os filhos. Ainda recentemente uma amiga me pediu uma avó porque o marido foi trabalhar para Angola uns meses.

Onde entra o coaching?

É um sonho. O coaching tem ferramentas para ajudar as pessoas a ser mais felizes. Eu adoro pessoas, tanto que até o meu projecto Granny tem a ver com isso: pôr pessoas em contacto umas com as outras.

Pelos vistos é um sonho já com alguma consistência na medida em que vai fazer workshops fora de Portugal...

Vou à Alemanha, assim como espero que a Granny Agency me leve mais vezes ao meu país, ainda mais agora que os meus pais vão ficando mais velhos e eu quero estar mais próxima deles.

Os seus pais vêm mais vezes a Portugal do que a Conny vai à Alemanha?

Sim. A minha mãe vem pelo menos duas vezes a Portugal. Eu vou menos lá porque a minha vida profissional até agora não permitia.

O coaching ajuda-a a si também?

Todos nós temos de ser coach de nós próprios mas é fundamental respeitar o mapa mundo das outras pessoas. Depois do turismo, das vendas e do restaurante, o coaching e a Granny Agency são a minha nova carreira.

Esta nova fase da sua vida está a dar-lhe muito prazer?

Adoro. Gosto de trabalhar com mulheres e até a minha agência de avós é só para mulheres.

Fala muito bem português mas tem um sotaque alemão ainda muito pronunciado...

A culpa é do meu marido que nunca me corrigiu porque não quer que eu perca o “charme”. Adora o meu sotaque!

Qual é o seu objetivo? Quer chegar onde?

Quero divulgar a minha agência, quero muitas mulheres para todo o mundo e quero visitar esses países. No fim deste ano, o meu sonho é ter já muitas avós em todo o lado.

As portugueses podem começar a inscrever-se?

Claro. A agência é portuguesa, embora o website  www.grannyagency.com, esteja em inglês e em português, dadas as características internacionais do projeto.

O que a distrai?

Como vivo no campo e tenho uma casa com piscina, tiro partido da minha horta onde gosto de plantar tomates e alfaces, e passeio os meus dois cães; para além disso, gosto de desporto, vou ao ginásio, faço reiki e tudo o que é ligado ao desenvolvimento pessoal. Também gosto de ler e de receber amigos em casa, para além de viajar, assistir a concertos, bons jantares e boas conversas...

Os seus amigos são portugueses?

São de todas as nacionalidades. Como sou muito comunicativa, faço amigos com facilidade, embora tenha muitos amigos portugueses.

Faz as suas consultas de coaching no Algarve?

Faço por Skype um pouco por todo o mundo. É muito mais confortável estar no conforto da casa a falar da vida do que estar num café ou numa esplanada.

Já teve um momento especialmente gratificante nesta sua nova atividade?

Cada vez mais gosto de trabalhar com mulheres e sou fã da energia feminina. Orgulho-me da ajuda que dei a uma advogada em Barcelona e a uma diplomata de Cascais, que tinham perdido o raciocínio da vida e que, graças ao coaching, reequilibraram-se e estão gratas a tudo o que a vida lhes deu!

artigo do parceiro: Palmira Correia

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