Como gerir o dinheiro do casal em tempos de crise

Contas conjuntas ou separadas?

Diz o ditado popular que “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. E a situação atual que o país vive vem comprovar a sabedoria popular. Os efeitos da crise económica - aumento do desemprego e perda do rendimento das famílias - têm trazido as questões financeiras para o centro das discussões de muitos casais. E não é de estranhar que tal aconteça. Um estudo americano realizado pelo “Forum for FamilyandConsumerIssues” revela que o dinheiro é a principal causa de conflitos no casamento, com 39% dos inquiridos a referirem que as questões financeiras lideram os motivos de discussão entre o casal, enquanto 54% afirma que estas questões são a segunda fonte de problemas da família. Para evitar pertencer a estas estatísticas, aqui ficam alguns conselhos sobre a melhor forma como poderá organizar a sua agenda financeira com a sua “cara-metade”.

Contas conjuntas ou separadas: qual o melhor método?

Não existe um método ideal. Tudo depende do perfil dos casais. Por exemplo, manter as contas totalmente separadas pode não fazer sentido para um casal e ser uma excelente opção para outro casal.

Ter todas as contas conjuntas: Alguns casais têm as suas contas bancárias em conjunto com as suas caras-metade. Para este modelo resultar tem que haver uma grande confiança entre o casal. Além disso, terão ambos de ter o mesmo perfil de consumo. Porque se um for muito gastador e o outro for uma pessoa mais poupada é mais do que certo que este modelo de organização vai suscitar discussões e atritos. Até porque este é um modelo muito transparente: ambos ficam a conhecer todos os gastos um do outro.

Ter uma conta conjunta mantendo cada um dos membros do casal a sua própria conta bancária independente: É, provavelmente, o modelo mais comum. Uma parte do dinheiro ganho é depositada numa conta conjunta para que, a partir daí, os dois possam gerir as despesas e poupanças da família. Ao mesmo tempo, este modelo preserva a autonomia financeira dos membros do casal, já que cada um continua a ter a sua conta bancária autónoma que poderá gerir da forma que bem entender. Ou seja, se lhe apetecer comprar um par de sapatos não sentirá a necessidade de justificar esse gasto junto do seu companheiro.

Contas totalmente separadas: É uma forma mais rara de gerir as finanças do casal mas pode ser uma solução ideal sobretudo quando estão em causa pessoas que querem preservar a sua autonomia financeira e quando ambos os membros do casal tenham rendimentos semelhantes. É um métodomais usado quando ainda não existem filhos. Apesar de terem contas separadas, dividem em comum as despesas relativas à casa. No entanto, modelo só funciona se ambos os membros do casal estiverem sintonizados.

Para saber mais detalhes sobre as vantagens e desvantagens de ter contas conjuntas ou separadas leia este artigo.

Cinco regras de ouro para evitar discussões

- Quanto mais cedo falar sobre os assuntos financeiros com o seu companheiro, melhor. O dinheiro não pode ser um tema tabu, caso contrário, os conflitos e os choques acabarão por surgir mais cedo ou mais tarde.

- Estabeleça um método de organização do dinheiro do casal, com o qual ambos se sintam confortáveis.

- Mantenha a sua independência financeira. Independentemente do método escolhido é importante que cada um mantenha a sua independência financeira e algum dinheiro para as suas despesas pessoais. Caso contrário, poderá haver a tentação de um membro do casal anular ou controlar o outro.

- Seja organizada e planificadora: a melhor forma de evitar discussões sobre dinheiro é manter as finanças do casal em dia e em ordem. Faça uma boa gestão dos rendimento do casal de forma a que sobre sempre dinheiro no final do mês.

- Seja transparente: Não minta sobre dinheiro ou sobre os seus gastos, nem esconda dívidas ao seu companheiro. 

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