Como explicar aos seus filhos o que é a austeridade

Cinco conselhos para falar com os mais novos sobre a crise.

Aus-te-ri-da-de. São cinco as sílabas desta palavra grande, complicada, difícil de entender até pelos adultos e, acima de tudo, difícil de explicar às crianças. "Mãe, o que quer dizer austeridade?". A pergunta certeira dos mais novos pode surgir em qualquer momento, mas sobretudo se a televisão estiver ligada e se estiver na hora do telejornal, com as notícias sobre a crise económica a multiplicarem-se. Perante as dúvidas das crianças, os pais devem estar preparados para responder com verdade, sem complicar e sem tentar esconder a realidade.

Uma das formas mais simples de explicar às crianças o que é a austeridade (conceito que, em economia, significa rigor no controlo dos gastos), é usar um exemplo que apele ao universo infantil e juvenil. Desta forma, pode comparar a crise no país a "um problema de gestão de semanada". O exemplo, que pode replicar uma futura conversa com os seus filhos, foi usado pelo Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, quando questionado por alunos do 2º ciclo: "Imagina que chegas a quarta-feira, ficas sem dinheiro e até sábado andas a pedir dinheiro emprestado. Ao fim de algum tempo começas a acumular dívidas e há um dia em que chegam ao pé de ti e dizem: ou pagas ou não te emprestamos mais", explicou. A partir daí, é preciso "muito juizinho" e há que prestar contas todos os dias aos sobre a gestão da semanada, concluiu o governador do Banco de Portugal. É aqui que entra a austeridade, ou seja, o tal rigor no controlo dos gastos.

Fique a conhecer alguns conselhos para conseguir explicar aos seus filhos estes conceitos económicos:

1. De pequenino...

Não tenha receio de começar cedo a explicar aos seus filhos o que é a austeridade: a partir dos três anos, ou assim que as crianças começarem a pedir bens materiais, há que dizer-lhes que não podem ter tudo aquilo que querem e que têm de partilhar os objetos, com os irmãos, por exemplo. Em paralelo, pode também introduzir o conceito de poupança e mostrar como é positivo juntar dinheiro, para os seus filhos comprarem os brinquedos que mais desejam.

2. Envolver as crianças

Os pediatras aconselham a não esconder a realidade às crianças, até porque elas são mais perspicazes do que os adultos muitas vezes pensam. Opte por incluir as crianças nas conversas sobre o orçamento familiar, para que se sintam parte da solução, e sintam que se trata de um esforço de todos para reduzir os gastos. Utilize linguagem simples, que não assuste as crianças.

3. Menos prendas, melhores prendas

O Natal e os aniversários das crianças, quando existe uma maior abundância de prendas e de brinquedos novos, são boas alturas para explicar aos mais novos a importância da poupança no orçamento familiar: muitos pais que até agora davam, em média, quatro presentes a cada criança em alturas festivas, reduziram esse número para metade, explicando as razões para isso acontecer.

4. Livros que explicam a crise

Muito antes da atual crise económica que se abateu sobre o país e sobre o mundo, existiam já contos infantis com o objetivo de ensinar às crianças a importância do trabalho e da poupança. Um bom exemplo é a história "A Formiga e a Cigarra", mas existem também jogos didáticos que ajudam os pais a transmitir este tipo de mensagens. Mais recente é o livro "A crise explicada às crianças", de João Miguel Tavares, que usa a imagem de um urso gordo (o défice) e de um enxame de abelhas furiosas (os mercados), para falar da austeridade.

5. Finais felizes

Ao mesmo tempo que explica às crianças o que é a crise, não se esqueça de passar mensagens positivas. É importante que os adultos façam um esforço para não transmitir a sua ansiedade face à situação económica do país para os mais novos. A Sociedade Portuguesa de Pediatria aconselha as famílias a evitar "dar uma dimensão catastrófica da vida, reforçando o conceito que o ser humano é dotado de uma capacidade de adaptação às adversidades". Reforce a importância de uma atitude proactiva na vida. As crianças devem ter noção da realidade, mas continuam a precisar dos seus refúgios de fantasia e, acima de tudo, finais felizes.

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