Beatriz Franck, empresária de sucesso

É angolana, tem 33 anos, um metro e 75 de altura e um sorriso encantador. Aos 17 anos entrou no mundo da moda e hoje é uma bem-sucedida empresária, dona de lojas e de uma revista de referência.

Beatriz Franck, está a divorciar-se, não tem filhos mas tem a maternidade como objetivo para se sentir uma mulher plenamente realizada. A conversa decorre na empresa de uma amiga em Lisboa, onde vem com alguma regularidade, apenas interrompida por telefonemas profissionais em francês, língua que domina na perfeição.

Começou cedo a dedicar-se à moda?

Tinha 17 anos e tive de ir em frente para superar as dificuldades por que passei na vida. Como sempre gostei muito de moda e sobretudo de ver as pessoas bem arranjadas, achei que podia contribuir para isso com o meu bom gosto.

Entretanto surge o seu interesse por uma grande revista...

Queria muito ter a Vogue África, mas, infelizmente, não foi possível. Decidi então fazer uma revista inspirada na Vogue mas focada na moda angolana... E foi assim que, depois de ter o projeto já há alguns anos em papel, decidi lançar a revista há três anos!

Como se chama a sua revista?

É mensal e chama-se Super Fashion. Já é uma revista conceituada quer em Angola, quer em Portugal, onde está em todos os pontos de venda mais significativos, nomeadamente, no aeroporto de Lisboa.

A equipa é grande?

Somos 17 pessoas, já tem alguma dimensão... E continuamos a crescer. A revista tem uma aplicação que pode ser descarregada em todo o mundo e lançámos agora o site – o objetivo é internacionalizá-la.

É o seu “Ai Jesus”?

Adoro a minha revista. É a minha coqueluche, o bebé que levo com o todo o carinho, mas não é tudo. O meu projeto de vida está a ser agora implementado, mas só pretendo falar disso quando estiver tudo concretizado.

Onde são as suas lojas

Tenho uma em Cabinda e outra em Luanda. A de Cabinda é a maior, com mil metros quadrados, e penso espalhá-las pelo país inteiro. Por enquanto não estou a pensar abrir lojas em Portugal mas, quem sabe, no futuro, isso venha a acontecer...

O que vendem as suas lojas?

A de Cabinda, que é a maior loja da província, funciona como um centro comercial, com os seus vários departamentos: tem secção infantil, feminina, cama, mesa, banho, bolsas e calçado, e no primeiro andar tem mobiliário... é um pequeno shopping center, que já vai fazer 11 anos.

Em Luanda é só moda?

Sim. Só tem vestuário feminino de várias marcas. As angolas gostam de moda, são muito exigentes e estão atentas às novas tendências. Gostam de se vestir bem e não abdicam de estar sempre elegantes, bem vestidas e bem maquilhadas. Independentemente do nível social, a angolana é vaidosa por natureza...

Trabalha muitas horas por dia?

Perco a conta. Costumo dizer que sou workaholic. Não tenho hora, não tenho dia, não tenho tempo para nada. Trabalho sábados domingos e feriadas, e, mesmo à noite, estou sempre atenta aos emails e atendo todos os telefonemas.

Estudou em Lisboa?

Não. Formei-me em contabilidade em Cabinda porque não tínhamos faculdade de moda em Luanda, e como sempre gostei muito de matemática, achei que poderia ser uma boa opção. Depois da contabilidade, estudei gestão de empresas. Graças a isso é que consigo gerir as minhas empresas.

Como é o seu agregado familiar?

Estou em processo de divórcio e não tenho filhos. Mas quero muito ter, é a parte que falta para me sentir realizada como mulher.

Consegue tocar isto tudo para a frente sozinha?

Consigo. Aliás, quando era casada até era mais difícil porque tinha de acumular o trabalho com o marido. Agora é tudo mais fácil, apesar de passar a vida a viajar por causa dos negócios, para fazer novos contactos e sobretudo para fazer compras para as lojas, do que resulta na maior parte das vezes ficar sem tempo para mim.

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