Sofre da doença do tempo?

O caminho da vida que deseja pode não ser aquele que tem vindo a seguir. Clarifique o que realmente quer fazer dos seus dias para perceber o que o está a impedir de o concretizar

Quando não conseguimos projetar aquilo que desejamos ser, limitamos a linha temporal da nossa existência. E quando não temos planos para a vida, a vida deixa de ter planos para nós. A nossa motivação baixa e a frustração aumenta. Deixamos de atribuir significado à vida. E, pior, por vezes, passamos a atribuir-lhe um significado negativo. O psiquiatra francês Eugène Minkowski (1968) chamou a este fenómeno «doença do tempo».

É como se bloqueássemos o nosso caminho. Isto não significa viver os dias preocupados com o futuro. Nem significa deixar de viver o presente, porque é nele que a vida acontece. Projetar a nossa vida significa criar continuidade. Imaginar aquilo que desejamos. Ser capaz de usar o que nos acontece como passos necessários no nosso caminho. Para isso, temos de saber para onde queremos ir e que vida desejamos ter.

Estes são os oito passos que deve seguir para tentar perceber se o seu dia a dia de hoje é mesmo aquilo que pretendia que fosse:

1. Imagine-se daqui a três anos

Imagine o que gostaria de estar a fazer daqui a três anos e como gostaria que a sua vida fosse. Imagine como deseja que sejam os seus dias a nível profissional, familiar, pessoal, financeiro, de lazer e também em termos de novos desafios... Onde gostaria de estar a viver? Com quem? A fazer o quê? Com que pessoas gostaria de estar rodeado? Imagine a sua vida sem problemas. Como seria?

2. Identifique o que o está a limitar

Se não conseguir imaginar como gostaria que fosse a sua vida, pergunte a si próprio o que o está a limitar. Imaginar como será a sua vida é algo em que não pensa, nem lhe interessa? É algo que o frustra ou que o deixa com medo? Tente perceber se está limitado pelas dificuldades do momento ou se aquilo que o limita é a sua própria dificuldade em ver a vida de forma positiva.  Se está frustrado, ansioso e triste devido à sua própria dificuldade para ver a vida a cores, possivelmente está a abusar de padrões derrotistas, como a queixa, a culpa e o medo.

3. Abandone a queixa e a culpa

Se se queixa muito da vida que tem, será difícil conseguir projetar uma melhor. Está tão focado naquilo que é mau que tudo lhe vai parecer insuficiente e precário. Entra num padrão derrotista e começa a achar que a culpa é de alguém ou de alguma coisa. Ou acha que a culpa é sua. Este ciclo vicioso retira-lhe energia e pode levá-la a estados depressivos.

Terá de ser radical para o conseguir mudar. Retire as queixas daquilo que pensa e daquilo que diz. Só se poderá culpar do que não fez. Evite estar com pessoas que se queixam por tudo e por nada. Todas as tentativas que fizer são para a sua felicidade. Algumas irão falhar. Mas muitas serão bem sucedidas.

4. Explore as suas capacidades de resiliência

Todos nós temos capacidades inatas inexploradas (e, às vezes, desconhecidas) que nos permitem ultrapassar o que nos acontece. Olhe para a sua vida e identifique os momentos em que teve de ser forte, em que foi corajoso e lutador. Olhe para o que conseguiu, para os obstáculos e os medos que ultrapassou. Se não se lembrar de nada, peça a alguém que a conheça bem para lhe dizer em que situações acha que foi corajoso.

5. Arrume a sua vida

Comece por arrumar as diferentes gavetas dos problemas que foi abrindo na sua vida e que, neste momento, são um enorme caixote com um turbilhão de situações desarrumadas. Abra cada uma das gavetas e vá eliminando o que já não lhe faz falta. Não tenha pena de deitar coisas fora. Se pensou que já não lhe fazem falta, livre-se delas. É porque já estão a mais!

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