O mal-entendido

Considera que representa uma fonte de conflito? Na relação romântica? Na família? No trabalho?

Segundo o dicionário da língua portuguesa, mal-entendido é: “Que forma ideia errada. Mal interpretado, mal apreciado. Interpretação errada de algo.”

Na comunicação, não nos podemos dar ao “luxo” de desperdiçar oportunidades, a fim de evitarmos o mais possível o mal-entendido. Por outro lado, considero um feito extraordinário, quando conseguimos comunicar as nossas ideias, expressar os sentimentos, opiniões e escutar ativamente – estar em sintonia com outro.

Todos nós sabemos o quão árduo pode ser querer comunicar com alguém, mas por um conjunto complexo de fatores isso pode não ser possível. Os relacionamentos possuem o dom de revelar o melhor e/ou o pior do ser humano.

Eis um exemplo de um mal-entendido “clássico” que frequentemente se ouve nas consultas:

Mário (nome fictício) e Marta (nome fictício) estão envolvidos numa relação romântica há 14 meses com problemas de comunicação. Ele diz estar confuso sobre os sentimentos da Marta, quanto ao compromisso na relação, visto ela adoptar um comportamento distante e ambivalente.  O Mário decidiu exemplificar. Eis a situação de mal-entendido, geradora de conflito, muito comum entre o casal: «No final da noite, em minha casa, estávamos os dois descontraídos no sofá, enquanto assistíamos a uma serie na televisão, passado uns minutos, apeteceu-me ter um momento mais íntimo com a Marta. Após ter manifestado interesse, através de mimos, beijos e caricias, ela recusou participar e afirmou estar mais interessada na serie da TV. Todavia acrescentou, “Agora não… quero ver a serie, depois…” Aceitei resignado e fiquei à espera. Passado uma hora, após a serie da TV terminar fomos ambos para o quarto. Depois de ter estado à espera, do momento tão desejado, finalmente chegou a oportunidade. Despimo-nos e enfiamo-nos na cama. Voltei a reiniciar o interesse, mas a reação da Marta foi virar-me as costas. Mesmo assim, insisti e insisti, mas não fui correspondido. Após a recusa e o desinteresse da Marta, fiquei extremamente frustrado. Passado uns minutos decidi sair da cama e fui até à sala, onde estive a cismar sobre o que tinha acontecido. Estava confuso e zangado. Quando voltei para a cama, ela já estava a dormir. No dia a seguir, quando estávamos acordados, decidi abordar o incidente da véspera e expressar a minha frustração. Após ter terminado a Marta afirmou o seguinte: - “Não tivemos sexo, por tua causa. Tu é que te levantaste da cama e eu pensei que já não estavas interessado. Como nunca mais regressavas, decidi adormecer”».

Este exemplo ilustra na perfeição a falta de diálogo, a falta de disponibilidade e empenho no diálogo. Como sabemos, o conflito pode ser gerador de ressentimento (vingança, amuos, acusações e repúdio) e raiva podendo ter um efeito corrosivo e perverso na intimidade e na confiança.

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