Diga não à violência doméstica

No amor não existe agressão física, humilhação e rancor. O amor contempla, por um lado, a individualidade, e por outro, a união.

Nos últimos 7 anos, o número de relatos de violência doméstica nas consultas têm aumentado, por parte das mulheres. Na minha opinião, este fenómeno representa uma mudança significativa na quebra dos valores conservadores disfuncionais que visavam justificar e evocar o amor, o casamento, a família e a cultura.

Numa ideologia, segundo a qual os direitos do homem se sobrepunham aos direitos da mulher, elas eram educadas para dependerem do amor, nem que para isso tivessem que suportar, décadas a fio, a violência física e/ou emocional, com consequências traumáticas que perduravam a vida inteira. Ao longo de varias gerações, as mulheres divorciadas foram repudiadas pela sociedade e pela própria família. Felizmente, a mudança de paradigmas traz consigo a esperança.

Esta inversão de valores e comportamentos devem-se a uma conjugação de fatores; existe mais informação, maior autonomia das mulheres e aceitação social. A separação e/ou o divórcio são hoje encarados como uma opção viável, quando não existe um projeto amoroso em comum.

Algumas afirmações de mulheres casadas que quebram o silêncio:

- Leonor (nome fictício): «Ele diz que me ama, mas quando está zangado descarrega a sua frustração em mim…é agressivo e humilha-me em frente às outras pessoas.»

- Maria (nome fictício): «Ele diz que eu é que sou a culpada da sua infelicidade, quando discutimos, empurra-me e dá-me pontapés.»

- Mafalda (nome fictício): «Após as agressões físicas, ele vem ter comigo dizendo que me ama, que está arrependido, que nunca mais se repetem, mas este tipo de justificações e promessas infundadas já duram há vários anos.»

Não se pode confundir amor com dependência

No amor não existe agressão física, humilhação e rancor. Amor contempla, por um lado a individualidade, e por outro, a união. Na dependência emocional recorre-se ao outro em busca da própria afirmação e valor pessoal. A amada dependente precisa do outro para se sentir completa, equilibrada e segura.

A paixão não é amor. A paixão proporciona as condições necessárias para a intimidade, o romance e a confiança - amor. Amor não se resume a um sentimento apaixonado. Amor é uma energia vital da natureza, da qual dependemos, cuja função visa reforçar os vínculos (conexões) indispensáveis para uma vida plena. Amor é empenho e um projeto, a médio e a longo prazo, em comum.

As vítimas da violência domestica não são só as mulheres, os homens também fazem parte das estatísticas. Para haver violência no casal, é preciso haver duas pessoas.

Na sua relação de intimidade não permita qualquer forma de violência verbal e/ou física. Não guarde segredos sobre a violência. Na realidade, visam somente perpetuar e reforçar a vergonha, a humilhação e o repúdio. Se há violência, não há amor: resta a dependência emocional. "Uma atividade sem limites acaba em bancarrota." Johann Goethe

Por João Alexandre Rodrigues

Addiction Counselor

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