A raiva

Sentir raiva é OK, a questão fulcral sobre os sentimentos intensos centra-se na forma como os expressamos.

Alguns mitos associados ao sentimento de raiva nos mais diversos contextos sociais:

- Nos contextos sociais, a raiva deve ser negada e/ou reprimida. “Os cães é que têm raiva” ou “Não posso expressar a raiva e a frustração porque irei provocar um conflito e depois podem não gostar de mim.”

- A raiva não deve ser expressada nos relacionamentos de intimidade, poderá soar a desrespeito, rejeição, ofensa. Durante uma consulta, Carlos (nome fictício) afirmou: “Se dissesse à minha mãe que estava com raiva, ela de certeza de que ia pensar que estava a ofendê-la.”

- A explosão de raiva justifica a agressividade verbal e em último caso física; a culpa é dos outros. A raiva (explosão) é uma ferramenta poderosa de poder nos mais diversos contextos sociais; humilhação, punição, sentimento de posse, controlo e intimidação.

- A raiva (explosão) permite-nos resolver definitivamente conflitos através da intimidação, manipulação, castigar, agressividade, hostilidade e do controlo. “A melhor defesa é o ataque.

E quando a fonte de problemas no relacionamento somos nós próprios?

Na realidade não somos ensinados a expressar a raiva e a frustração de uma forma espontânea, legitima, construtiva, honesta e reciproca. Nos relacionamentos de intimidade, somos ensinados a negar e a reprimir os sentimentos dolorosos, e isso reforça a frustração, a deceção e a passividade.

No outro extremo do comportamento, a raiva proporciona uma falsa sensação de poder, quando perdemos o controlo do comportamento legitimamos a explosão da raiva (agressividade, impulsividade) para castigar e punir. Oiço com muita frequência nas consultas “Agi desta maneira por causa dos outros. O problema não é meu. Como é que posso ser uma pessoa calma se os outros me provocam?” Detestamos ser criticados. Desenvolvemos expectativas sobre os outros que não correspondem á realidade. Possuímos sentimentos facilmente magoados, andamos em estado de alerta e somos excessivamente egocêntricos. Acreditamos, erradamente, não possuir o poder de escolha, porque o nosso comportamento é orientado por forças externas totalmente fora do nosso controlo. Culpamos as pessoas e o mundo à nossa volta.

O poder da negociação na gestão da raiva

- Precisamos de distinguir entre aquilo que somos ou não responsáveis. Definir com clareza as intenções. Sentimentos dolorosos e intensos podem ser uma fonte de comportamento irracional.

- Perante um problema, evite partir para o confronto e opte por negociar através da reciprocidade. Monitorize os níveis de ansiedade; por exemplo, ficar defensivo e impaciente.

- Caso pretenda fazer-se ouvir ou “ter razão”, preste atenção ao tom da voz. A troca de insultos pode deteriorar a relação e gerar uma batalha sem fim à vista com consequências negativas a médio e longo prazo; sentimento de vingança, explosões de raiva, ansiedade extrema, ressentimento de estimação. Nestas alturas vê o/a seu parceiro/a, familiar ou colaborador como um inimigo a “abater”. A batalha deve ser baseada em ideias e argumentos.

- Precisamos de saber o que é que conseguimos controlar e aquilo que não conseguimos controlar. Ser honesto.

- É necessário ficar bem claro, o que pretendemos das pessoas, tendo em conta as suas capacidade e limitações. Somos seres multitalentosos, mas imperfeitos.

- Ser vulnerável e genuíno com sentimentos é um ato de coragem. Sentir em vez de fingir.

- Partilhe responsabilidades; em vez de querer dominar e/ou controlar. Confie no processo, em vez dos resultados imediatos.

- Seja líder pelo exemplo, terá seguidores. Ser líder pelo medo e intimidação; as pessoas evitam-no. Aperfeiçoe o processo de negociação – reciprocidade vs. Intransigência.

Cuide de si o melhor possível. “Não faças aos outros aquilo que não gostarias que fizessem a ti.” Anónimo.

Por João Alexandre Rodrigues

Addiction Counselor

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