A fórmula da felicidade

E se lhe disséssemos que ser feliz é tão simples como somar dois e dois?

Comparar a felicidade a uma fórmula matemática parece algo redutor, mas é também um desafio para quem se propõe a tal tarefa. Eduardo Punset, escritor e divulgador científico espanhol, dedicou-se a esse objetivo. Para tal, reuniu-se com alguns dos mais prestigiados cientistas no campo da felicidade. O resultado desses encontros é «Viagem à Felicidade», um livro já editado em Portugal pela Dom Quixote que nos dá conta das novas chaves científicas no caminho do bem-estar emocional. À conversa com o autor, ficámos a conhecer os principais factores para um vida feliz, os quais partilhamos agora consigo.

O que é exatamente a felicidade?

É uma das emoções básicas e universais do ser humano e uma das protagonistas da nossa vida emocional. Como todas as emoções básicas e universais, é efémera por isso não nos podemos dar ao luxo de não a procurar.

O que podemos fazer para a alcançar?

Acima de tudo, devemos controlar a nossa própria vontade e dedicarmo-nos a projetos e tarefas emocionantes.

Por que será que a humanidade se preocupa tanto com a procura da felicidade?

Nem sempre foi assim. O prolongamento da esperança de vida, que acrescentou mais de 40 anos redundantes, em termos evolutivos, foi o principal fator a desencadear essa procura.

Pela primeira vez a humanidade teve perspetivas de futuro e colocou, logicamente, a questão de como ser feliz. A entrada da ciência nesta demanda aconteceu mais recentemente, a partir do momento em que as novas tecnologias permitiram medir os processos neuronais implicados na felicidade.

É possível medir o grau de felicidade de uma pessoa num dado momento?

Sim, mediante ressonâncias magnéticas podemos medir o impacto da vida emocional nos nossos neurónios. Hoje sabe-se, por exemplo, que o stresse reduz o volume do hipocampo.

Quais as maiores dificuldades que encontrou na viagem à felicidade que empreendeu?

A verdade é que só tive vantagens. A ajuda desinteressada de grandes cientistas como Daniel Gilbert e António Damásio; o interesse do público pelo tema e também dos editores e a abertura da comunidade científica em partilhar com o mundo inteiro aquilo que preocupa as pessoas comuns e não apenas os especialistas.

Dinheiro, saúde e família são as chaves da felicidade?

O dinheiro apenas joga um papel na busca da felicidade quando se vive abaixo do nível de subsistência. Uma vez alcançado, deixa de ser relevante. A saúde é uma dimensão significativa mas nada se compara à importância das relações interpessoais.

Qual foi a descoberta científica mais importante para a definição da felicidade?

Foi, sem dúvida, a descoberta de que as relações pessoais só se podem desenvolver na ausência de medo.

De que forma podem as relações interpessoais afetar a nossa felicidade?

É a atitude dos outros (dos chefes, em particular) que pode transmitir a sensação de que são eles e não nós quem controla a nossa vida. E isso pode ser devastador... Por outro lado, para aprofundar os nossos conhecimentos e competências (outro princípio fundamental da felicidade), o que conta acima de tudo, é o esforço pessoal.

O prazer provocado pelo sexo, álcool, drogas e comida pode aproximar-nos da sensação de felicidade?

Fazem parte dos atalhos da felicidade. O problema está nos efeitos perversos ou secundários que estes podem ter em determinados casos.

No seu livro refere a arte como uma forma de alcançar a felicidade. De que forma?

Como disse antes, mergulhar numa determinada tarefa ou projeto é um requisito indispensável para alcançar a felicidade. A arte é um dos caminhos mais trilhados e conhecidos para mergulhar no fluxo das emoções que nos tornam mais felizes.

Considera-se um homem feliz?

A minha curiosidade insaciável acerca do comportamento dos objetos no universo, do ser humano e do resto dos animais, manteve-me submerso em diferentes emoções, mas com a mesma intensidade. Além disso, ao contrário do que muita gente pensa, a felicidade é mais frequente à medida que avançamos na idade.

A biografia de um homem feliz

Eduardo Punset nasceu em Barcelona, em 1936. Advogado, economista e político, teve um destacado papel na abertura de Espanha ao exterior enquanto ministro das Relações para as Comunidades Europeias.

Foi jornalista de economia na BBC e no The Economist e representante do Fundo Monetário Internacional para a área das Caraíbas. Professor universitário e autor de vários livros já publicados, também ocupou o cargo de diretor e apresentador do programa «Redes» na televisão espanhola.

Texto: Vanda Oliveira

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