A filosofia de bem-estar sueca que privilegia o equilíbrio e a moderação

O hygge dos dinamarqueses, até aqui em voga, está a ser substituído pelo lagom, uma corrente de pensamento que defende uma maneira diferente de pensar e de (re)aproveitar os dias.

Já viu que passa a vida a correr? Pare para pensar na vida que leva e, se for caso disso, repense todas as suas prioridades. «Vivemos numa época de pressão excessiva, que exige ligação ao resto do mundo, que estejamos constantemente a par das últimas notícias e que acompanhemos a velocidade estonteante dos avanços tecnológicos, mudanças de estilo de vida e novas formas de cultura popular», afirma Lola A. Åkerström.

«Movemo-nos a um ritmo antinatural», defende mesmo a autora do livro «Lagom – O segredo sueco para viver bem», publicado em Portugal pela Editorial Presença, uma das grandes defensoras desta filosofia de bem-estar sueca que privilegia a harmonia, o equilíbrio, a moderação e a satisfação com aquilo de que (já) dispomos. Uma crítica ao mundo consumista em que nos habituámos a viver.

«Lagom é uma forma de pensar que procura combater o stresse de forma a aumentar a produtividade», descreve Lola A. Åkerström. «Devemos, por exemplo, livrar-nos das muitas coisas, tendo em conta que menos é mais. Na relação vida/trabalho, devemos privilegiar o equilíbrio, a confiança nas relações e a harmonia na sociedade, para evitar situações de stresse desnecessário», apregoa, em jeito de explicação.

O lagom versus o hygge

A Suécia e a Dinamarca, que popularizou o hygge, inspirado no estilo de vida dinamarquês, tendem sempre a surgir no topo das listas dos países mais felizes do mundo. «Lagom e hygge são, realmente, irmãos nórdicos. Mas, enquanto os valores de ambos procuram a harmonia, o contentamento e o sentido de pertença, o lagom tem uma forma mais abrangente de ver, fazer e existir», defende a autora.

«É uma mentalidade subjacente sobre o que significa viver e pensar como um sueco», afirma Lola A. Åkerström. «Hygge refere-se a momentos, enquanto lagom está subjacente a algo duradouro que se quer manter constante. O lagom pretende que vivamos todos os dias de uma forma em que consigamos manter o contentamento e a harmonia», acrescenta ainda a seguidora desta corrente.

«No meu caso específico, passei a ouvir melhor os outros, apenas por falar menos e partilhar apenas a informação relevante», desabafa. «No que toca ao bem-estar, aprendi a dizer não mais vezes e, mais importante, a não me sentir culpada por isso. Passei a ter mais compaixão por mim própria», assume. «Se falhar, já não sinto a necessidade de voltar a tentar logo de seguida», garante a especialista sueca.

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