O solstício, o amor, o filme Maléfica e a integração da sombra e do feminino

Por Vera Faria Leal

Feliz solstício de Verão no hemisfério norte, e de Inverno para os queridos do Sul!


O Solstício – quando o sol fica quieto – de Verão, era chamado de Litha pelos antigos celtas; tempo de celebração da prosperidade da Terra, cheia de Vida; do casamento entre Céu e Terra, tempo da manifestação de uma vida nova, novos frutos, novas possibilidades. Que renovação está a acontecer na sua vida agora? O quanto acreditou em si e investiu nos seus talentos? É tempo de assumir o que realmente ama, libertar padrões emocionais caducados, e escolher de livre vontade, as responsabilidades que o ajudam a florescer e a reencontrar-se com a sua essência!

O mapa astral do solstício revela quer a intensidade emocional a que o mundo está agora sujeito, quer a capacidade de atravessarmos as águas das nossas emoções curando, alquimizando e amando, a nós e aos outros, como nunca fizemos ainda.


Quando temos a consciência de que estamos no caminho da nossa individuação, então já estamos na meta no sentido em que a presença gradual no agora abre as portas à inspiração Divina, gerando as preciosas sincronicidades; possibilita a integração entre o ideal e o real, a luz e a sombra, a personalidade e a alma; gera epifanias que chegam a arrepiar, nos momentos em que ”sabemos” que o AMOR, que é a expressão da unidade existencial subjacente à manifestação, É o Caminho. A verdade, a Vida.

O FILME MALÉFICA, O AMOR, ARQUETIPOS E O NOVO PARADIGMA


Nota: quando falar de valores femininos e masculinos, falo de yin e yang, não de homens e mulheres. Tudo o que existe na manifestação tem uma combinação destas duas energias.


Estreou recentemente este filme fantástico, onde eu considero que a Disney se “redimiu” de décadas a desvirtuar a profunda sabedoria arquetípica de contos de fadas tradicionais. Nos contos de fadas encontramos os padrões que dão forma ao desenvolvimento humano. Os reis representam uma crença coletiva dominante e os valores masculinos/yang, nomeadamente do agir de uma dada forma; as rainhas representam os sentimentos (valores yin); num paradigma civilizacional em mudança, novas crenças e valores emergem no inconsciente coletivo, e nas artes, nos contos de fadas, espelhando essa nova consciência em expansão e revelando o mapa da estrada a trilhar.

No filme Maléfica, há dois mundos que coexistem, o dos humanos e o das fadas; o das fadas denota uma profunda comunhão entre toda a vida, a terra, a natureza. O patriarcado tentou suprimir a relação com a Terra, pois ela era cultuada como a Deusa no passado; quando estes valores femininos são suprimidos, os contos de fadas mostram-nos a princesa a dormir, que é uma metáfora para o “estarmos coletivamente adormecidos para a forma Yin de sentir e ver a vida, através dos olhos da imaginação. Quando a “princesa adormece” numa cultura, a energia feminina reprimida ou remetida para “o submundo/inconsciente” é reabsorvida em grande parte, sob a forma da vilã – as bruxas, as madrastas, a mãe má que nos quer amaldiçoar e matar. O filme Maléfica mostra como a dor da traição e do abandono forjaram as armaduras em redor do coração de uma mulher que antes, tinha amado muito. Mostra o início, provavelmente nunca antes revelado nos filmes da Disney.

Veja na próxima página a continuação do artigo

Comentários