Voltar à escola é uma forma de não se deixar envelhecer

Tem mais de 50 anos? Quem disse que já não tem idade para aprender? Opte por um estilo de vida intelectualmente ativo e sinta-se sempre jovem, como recomenda um especialista!

As ofertas de ensino para adultos multiplicam-se um pouco por todo o país e o número de seguidores não para de aumentar. De norte a sul do território, são cada vez mais os adultos que regressam à azáfama dos livros e dos cadernos. As razões para esta opção são diversas e os benefícios visíveis, tanto a nível psicológico como físico. Muitos analistas estimam que 80% por cento dos alunos das universidades séniores sejam mulheres.

Essa percentagem está, no entanto, longe de ser linear, ainda que elas tendam a estar (praticamente) sempre em maioria. Descubra o que caracteriza este ensino e quais são as suas vantagens e impacto no dia a dia depois dos 50 anos e/ou da reforma. Especialmente vocacionado para adultos, o ensino sénior visa «um público que já tem uma experiência de vida», explica Luís Jacob.

«E isso tem que ser tido em conta no contexto da formação», referiu o professor, em declarações à edição impressa da revista Saber Viver, na condição de presidente da Rede de Universidades para a Terceira Idade (RUTIS), organismo sediado em Almeirim que agrega as dezenas de universidades distribuídas por todo o país. Uma condicionante que acaba por ser um desafio acrescido para os docentes.

«A maior parte das pessoas não está nas universidades sénior por uma questão de habilitações, acreditação ou certificação», frisa Luís Jacob. O objetivo é saber mais e, sobretudo, viver melhor. Um ambiente comunitário dá o mote para um estilo de vida saudável e ativo na medida em que, para o professor, «um dos grandes objetivos é combater a solidão, dar um motivo para sair de casa. Um horário, uma rotina», diz.

Menos isolamento para uma maior integração social

A missão é clara. «Pretendemos combater o isolamento das pessoas através do conhecimento», explica Luís Jacob. E independentemente do ano em que nasceram, os alunos destas universidades continuam a procurar sobretudo duas disciplinas centrais, inglês e informática. Ao utilizarem várias funcionalidades da internet, «não se sentem info-excluídos porque estão ao mesmo nível do que os mais novos», frisa.

«E, ao mesmo tempo, aumentam o seu leque de conhecimentos e de experiências», acredita. O desenvolvimento das redes sociais tem funcionado como um desbloqueio. Explorar o mundo à distância, construir e manter ligações com outras pessoas e estar sempre actualizado em relação ao que se passa à sua volta são apenas algumas das formas de «desenvolvimento e envolvimento na sociedade», realça.

Uma maior qualidade de vida

As vantagens deste regresso às aulas para mais velhos são, à partida, grandes. Na opinião de Luís Jacob, «quando despertamos novos talentos, novas competências, isso reflete-se na nossa qualidade de vida. Vai melhorar a autoestima, a capacidade de resolver problemas», assegura o especialista. E estas universidades representam, muitas vezes, uma oportunidade privilegiada para a realização pessoal.

Exemplo disso são «pessoas que sempre gostaram de pintar mas nunca tiveram a oportunidade de aprender», sublinha. «Frequentam aulas de pintura e alguns deles acabam por participar em exposições», descreve. O docente destaca ainda o caso de um aluno que, aos 72 anos, gravou um disco de fados. «Só mais tarde, na universidade sénior, é que descobriu que tinha jeito para cantar o fado e gravou um CD», recorda o professor.

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