O calor e o pânico

A maior parte de nós aprecia a vinda dos dias mais quentes. Disse a maioria, não todos.

Ao longo da minha prática clínica tenho reparado que quando as temperaturas sobem os pedidos de ajuda psicológica devido a perturbações ansiosas, em particular, pânico aumentam.

Um ataque de pânico caracteriza-se pela presença de um mínimo de quatro dos seguintes sintomas:

  • Palpitações, ritmo cardíaco acelerado
  • Suores intensos
  • Tremores
  • Dificuldade em respirar
  • Sensação de sufoco
  • Dor ou desconforto no peito
  • Náuseas ou desconforto abdominal
  • Sensações de tonturas ou desmaios
  • Sensações de frio ou calor intensos
  • Dormência ou formigueiro nos membros superiores ou inferiores
  • Desrealização ou despersonalização
  • Medo de perder o controlo ou de enlouquecer
  • Medo de morrer

As temperaturas altas podem aumentar o ritmo cardíaco, as sensações de tontura, a dificuldade em respirar e a sudação. Nos dias excessivamente quentes, por menos roupa que se vista ou por mais sistemas de arrefecimento usados (e.g. ventoinhas, ares condicionados, leques, etc.), o nosso corpo responde naturalmente com alguns destes sintomas. A maior dificuldade em dormir, o aumento de luminosidade e a maior frequência de locais públicos também podem contribuir para o surgimento de sintomas ansiosos.

Caso o/s ataque/s de pânico seja/m acompanhado/s de preocupação com a possibilidade de um novo ataque de pânico, preocupação com as consequências de um ataque de pânico ou alteração de comportamentos habituais devido aos ataques de pênico (e.g. evitamento de locais ou situações associadas aos ataque de pânico) estamos sob a presença de uma Perturbação de Pânico.

Como prevenção, poderá aumentar as atividades de relaxamento e de exercício físico com a chegada dos dias mais quentes, bem como controlar a temperatura e luminosidade ambiental na medida do possível.

A psicoterapia é bastante indicada para este tipo de casos, uma vez que irá dar-lhe informações sobre o pânico, ensiná-lo/a a relacionar-se com a ansiedade e o medo de uma forma adaptativa, com estratégias para diminuir estes sintomas.

Catarina Barra Vaz

Psicóloga clínica e educacional

Responsável pela Psinove Oeiras

www.psinove.com

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