Vulvodínia

Os sintomas e os tratamentos que combatem a síndrome da vulva ardente

A vulvodínia ou vestibulite vulvar, também conhecida como síndrome da vulva ardente, é uma disfunção caracterizada por uma sensação de dor aguda e ardor vulvar de longa duração.

Paralelamente, podem existir picadas, irritação ou secura na zona afetada, que podem ser acompanhadas de prurido. Esta patologia complexa e de difícil tratamento é uma das causas de dispareunia e apareunia.

A dispareunia é a dor que ocorre durante a relação sexual e a apareunia descreve um coito difícil ou até mesmo impossível.

Sintomas

Documentada, pela primeira vez, em 1889, pelo ginecologista escocês Alexander Johnston Chalmers Skene, apenas foi reconhecida como doença em 1976 pelos membros da Sociedade Internacional para o Estudo de Doenças Vulvovaginais. A vulvodínia ou vestibulite vulvar pode ser constante ou intermitente, podendo ocorrer num local específico ou em toda a área vulvar. A sensação dolorosa pode manifestar-se, particularmente, após o toque ou pressão na região afetada. Neste contexto, a intimidade sexual, a introdução de tampões e atividades como andar de bicicleta ou cavalo podem desencadear reacções de desconforto consideráveis.

Diagnóstico

Não é fácil chegar ao diagnóstico da dor vulvar, pois esta quase não apresenta sinais físicos visíveis. Segundo Bram Broms, médico da clínica online euroClinix, «para além da vermelhidão, poucos mais sinais se conseguem identificar. Para se conseguir um diagnóstico rigoroso, é necessária a deslocação ao médico ginecologista, para que seja avaliada a dor e seja examinada a vulva e as áreas identificadas como sensíveis, e retirar, eventualmente, uma amostra do fluxo vaginal cujo resultado pode informar quanto à existência, ou não, de uma infeção».

Causas

Têm sido realizados vários estudos para determinar as causas da vulvodínia. No entanto, os resultados não têm sido conclusivos, apesar de ser possível indicar, segundo os investigadores, algumas das seguintes causas possíveis:

- Infeção vaginal por fungos, cirurgia ginecológica ou parto
- Alterações hormonais
- Alergia ou irritação a produtos químicos e/ou a determinadas substâncias
- Fatores genéticos que podem determinar uma resposta inadequada à inflamação crónica
- Historial de abuso sexual
- Uso sistemático de antibióticos

Tratamento

O tratamento da vulvodínia é, regra geral, efetuado através de uma combinação de tratamentos, sendo, multidisciplinar quando conta com a intervervenção, por exemplo, de um ginecologista, fisioterapeuta e psicólogo, com o objetivo de combater os aspetos físicos, emocionais e mentais da patologia.

O tratamento pode, neste âmbito, reduzir significativamente os sintomas e melhorar a qualidade de vida da mulher. Alguns dos tratamentos e técnicas aconselhados são:

- Procedimentos cirúrgicos como a vulvoctomia a laser ou a remoção da glândula vestibular vulvar (não obstante, a dor nem sempre é eliminada em todos os casos)

- Tratamento sintomático

- Técnica de biofeedback vaginal que visa alterar as mensagens emitidas pelo sistema nervoso e estimular a descontracção e a reabilitação gradual dos músculos pélvicos

- Fortalecimento da musculatura do soalho pélvico através, por exemplo, de exercícios de Kegel

Neste quadro, é recomendável que as mulheres falem com o seu parceiro, sem receios ou vergonha, sobre possíveis práticas sexuais que possam não envolver dor, mas que, ao invés, estimulem a intimidade e o prazer a dois.

O impacto da nutrição

De acordo com dados científicos, a vulvodínia pode ter uma correlação com o oxalato de cálcio na urina, o qual pode ser muito irritante para a pele da vulva. Uma forma de minimizar e contornar esta situação é através de uma dieta com baixo teor de oxalato e da toma diária de citrato de cálcio. Desta forma, deve evitar-se a ingestão de alimentos ricos em oxalato como o aipo, o chocolate, os morangos e os espinafres, podendo este tipo de dieta demorar entre três a seis meses a produzir efeitos.

Como evitar a vulvodínia

Apesar de a vulvodínia não poder ser completamente prevenida, existem algumas medidas simples que podem ser realizadas no dia a dia para reduzir o risco de desenvolver esta condição, nomeadamente:

- Usar roupa íntima de algodão em detrimento de materiais sintéticos.

- Evitar o uso de roupa íntima apertada.

- Não utilizar sabonetes, detergentes e produtos perfumados na região íntima que possam irritar a vulva.

- Lavar a vulva com água fria e secá-la com delicadeza.

- Utilizar lubrificantes para reduzir a irritação no decurso da relação sexual.

- Adotar uma dieta pobre em oxalato.

Texto: Clínica euroClinix

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