Teste da calprotectina no diagnóstico da doença inflamatória intestinal

Estima-se que na Europa cerca de 2 milhões de pessoas sofram de Doença Inflamatória Intestinal. A doença de Crohn e a Colite Ulcerosa são duas doenças intestinais crónicas. Os sintomas são angustiantes e debilitantes e frequentemente são semelhantes a outras patologias, dificultando assim um claro diagnóstico.
créditos: Germano de Sousa

A Calprotectina surge como um simples, rápido, específico e não invasivo marcador, na deteção e acompanhamento da Doença Inflamatória Intestinal. Trata-se de uma proteína que se encontra presente no organismo e é responsável pelo transporte de cálcio e zinco.

Os níveis de Calprotectina são analisados a partir de uma colheita normal de fezes e apresentam uma correlação proporcional ao grau de inflamação do intestino. A Calprotectina Fecal é um excelente marcador biológico, uma vez que permanece estável à temperatura ambiente até 7 dias, é resistente à ação bacteriana e também surge uniformemente distribuída na amostra.

Os valores de referência para a Calprotectina Fecal são: Negativo: inferior a 50ug/g; Indeterminado: 50,1 a 150,0 ug/g e Positivo: superior a 150,1 ug/g.

Valores elevados de Calprotectina são geralmente detetados nas fezes de pacientes com Doença Inflamatória Intestinal ativa. Podem ser também justificados pela presença de diversos processos inflamatórios intestinais localizados tanto no intestino delgado como no cólon, nomeadamente infeções gastrointestinais, Cancro do Cólon, Cancro Colo-rectal e também em casos de pacientes com Cirrose Hepática. Valores negativos não devem ser interpretados como ausência de patologia intestinal, uma vez que podemos estar perante uma situação de ausência de inflamação intestinal causada por neutrófilos.

Os níveis de Calprotectina nas fezes são cerca de 6 vezes maiores do que os encontrados no sangue, o que a torna um excelente marcador de inflamação intestinal. A Calprotectina reflete não só a existência da inflamação como a respetiva gravidade, ou seja, níveis elevados indicam que a doença está na fase ativa e quanto mais elevados estiverem mais grave é a inflamação.

Esta análise clínica é igualmente importante para a tomada de decisão do médico assistente de enviar ou não um paciente para uma colonoscopia, ao mesmo tempo que permite monitorizar pacientes com Doença Inflamatória Intestinal, reduzindo situações de recaídas.

Por ser um método não invasivo, o recurso ao teste da Calprotectina tem vindo a aumentar e a sua adaptação a equipamentos totalmente automatizados, tornam esta análise clínica uma importante ferramenta de apoio ao diagnóstico da Doença Inflamatória Intestinal.

Por Germano de Sousa, Médico Especialista em Patologia Clínica

Germano de Sousa, Médico Especialista em Patologia Clínica

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