Tabaco e saúde oral

Inquérito aos médicos dentistas avalia o tabaco como fator de risco para as doenças orais

Cerca de 6 milhões de pessoas morrem anualmente devido ao consumo de tabaco, quer de forma direta, enquanto fumadores ativos, quer de forma indireta, como fumadores passivos. A preocupação da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) com o impacto do tabaco nas doenças orais motivou a realização de um inquérito aos médicos dentistas para avaliar o modo como acompanham os doentes fumadores, bem como os hábitos tabágicos dos próprios médicos dentistas.

O inquérito foi respondido por mais de de 1.800 médicos dentistas e as conclusões comprovam que há cada vez menos médicos dentistas fumadores (cerca de 42%) e que estão cada vez mais atentos aos efeitos que o tabagismo pode ter nos doentes. Cerca de 96% dos que responderam referiram que questionam os doentes sobre o consumo de tabaco. Mais especificamente, 91% afirma que conversa com os doentes sobre os malefícios do tabaco, mais de 80% aconselha programas ou consultas de cessação tabágica e 13% prescreveram terapias de reposição da nicotina.

Os hábitos tabágicos diminuem a resposta do sistema imunitário perante as infeções orais. Ao nível da saúde oral, as consequências do hábito do tabaco são muitas, indo desde a halitose, conhecida como mau hálito, até doenças mais graves como o cancro oral, que tem neste hábito o principal fator de risco. As doenças das gengivas e as dificuldades de cicatrização também são mais comuns entre as pessoas que fuma. O tabaco aumenta também os riscos de defeitos congénitos, como o lábio leporino e a fenda palatina nos filhos de mulheres que fumam durante a gravidez.

Na opinião do bastonário da OMD, «é muito importante que os médicos dentistas estejam atentos aos hábitos tabágicos dos doentes, porque a relação entre as doenças da cavidade oral e o consumo de tabaco constitui a oportunidade ideal para os profissionais da saúde oral participarem em iniciativas de controlo do tabagismo e em programas de desabituação tabágica».

Orlando Monteiro da Silva refere que «as respostas a este inquérito mostram que há grande consciência sobre o problema do tabaco, mas que é preciso divulgar mais e melhor as soluções para quem pretende deixar de fumar e é nesse sentido que a ordem vai desenvolver maiores esforços. Até porque as estatísticas internacionais demonstram que, quando os profissionais de saúde incentivam e ajudam os doentes a deixar o vício do tabaco, as taxas de interrupção do hábito de fumar sobem entre 15 e 20%». 

A terapia de substituição de nicotina está já na Lista de Medicinas Essenciais da Organização Mundial de Saúde, que prevê que em 2030, o tabaco possa vir a ser a maior causa de morte em todo o mundo.

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