Salsa

Uma planta diurética e anti-depressiva que regula o período menstrual

Com a chegada do calor e a vontade voltada para o exterior, para as refeições no jardim, para as saldas, para as sopas e para as ervas aromáticas que adornam e embelezam qualquer prato, muitas vezes subestimamos o valor dos ornamentos verdes e não os ingerimos.

Ficam abandonados na borda do prato, quando são quase sempre alimentos de alto valor nutritivo.

A salsa costuma ser um deles. Esta erva de cheiro é um forte diurético, muito útil no tratamento da retenção de líquidos, de reumatismo, de gota, de infeções da bexiga e de cálculos renais. Além disso, é reguladora do período menstrual e ainda alivia os espasmos. Tudo boas razões para a consumir.

Os seus benefícios não se fica, contudo, por aqui. Estimula a produção de leite materno e tonifica os músculos do útero. É um tónico geral, aliviando a depressão e o cansaço na menopausa. Ajuda a aliviar flatulência e cólicas. Para as cólicas das crianças, faz-se um leve infusão das folhas que se lhes dá a beber duas ou três colheres depois das refeições.

O chá da salsa pode ser usado em lavagens e em compressas para picadas de insetos mas também em situações de inchaços dolorosos, de olhos irritados e de eczema. As raízes são sudoríferas. Há ainda quem a considere afrodisíaca e é um refrescante do hálito muito útil depois de se ingerir alho.

Precauções a ter

Devido ao componente apiol, que é um estimulante das contrações uterinas, a salsa está contraindicada na gravidez. Não se deve colher no campo pois é muito semelhante à cicuta menor que é bastante tóxica e tem flores brancas e odor fétido.

Um pouco de história

A salsa é, sem dúvida, uma das ervas aromáticas mais utilizadas no mundo. Os antigos egípcios e os gregos chamavam-lhe o aipo da montanha e usavam-na para tratar dores no estômago e problemas de bexiga. Os gregos utilizavam-na contra a epilepsia e como regulador do sistema nervoso. Simbolizava ainda a festa e a alegria partilhada e costumavam coroar os vencedores das corridas com uma coroa de salsa.

Grande conhecedor de plantas Plínio, o velho, no século I, já atribuía à salsa poderes curativos e aconselhava a colocar alguns rebentos nos lagos devido aos efeitos curativos que exercia sobre os peixes. Kunzle (1857-1945), um abade suíço grande conhecedor da flora alpina, recomendava a salsa contra o sangue na urina, micções dolorosas e inflamação da próstata. O herbário galês do século XII menciona a salsa como geradora de sangue.

Habitat

A salsa é originária do Sul da Europa, mas é hoje cultivada um pouco por todo o mundo. Prefere climas temperados onde também cresce espontaneamente. A variedade mais comum (Petroselinum crispum) tem folhas muito frisadas e é a favorita dos ingleses.

A de folha achatada (Petroselinum sativum ou Apinum petroselinum ou Petroselinum hortense), mais comum entre nós e preferida na gastronomia da Europa e da Índia, é mais resistente, tem um sabor mais forte e contém mais propriedades medicinais. Utilizam-se as folhas, as raízes e as sementes, apesar de estas últimas não serem recomendadas para uso interno.

Esta planta cresce em terrenos incultos, nas frestas de rochas e muros. É uma planta vivaz, de caule erecto, e folhas compostas de um verde intenso, lisas ou frisadas, da família das umbelíferas, atinge entre 30 a 60 centímetros de altura.

Composição

Contém óleo essencial, cânfora-de-salsa (apiol), miristicina, flavonóides, pectina, muita clorofila, taninos, matéria corante amarela, vitamina A, B, C e E, ácido fólico, ferro, cobre, cálcio e fósforo. A raiz contém ainda amido e mucilagem.

Na horta

A salsa misturada com sementes de cenoura ajuda a repelir a mosca desta última devido ao seu aroma. Protege as roseiras do escaravelho. Quando plantada com o tomate ou com os espargos, revigora-os. Uma forma de combater a borboleta negra (cauda de andorinha) é soltar as aves da capoeira nos canteiros da salsa. As galinhas adoram as larvas desta borboleta. Alguma variedades da salsa são cultivadas apenas para aproveitar as raízes carnudas que se podem comer da mesma forma que os nabos.

Texto: Fernanda Botelho

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