Células do sangue do cordão umbilical no tratamento da diabetes tipo 1

A Diabetes Tipo 1 é uma doença autoimune causada pela destruição das células β do pâncreas. Estas células são responsáveis pela produção de insulina, a hormona que causa a redução da glicémia (taxa de glicose no sangue) ao promover a entrada de glicose nas células.
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É uma doença crónica, cujo tratamento assenta na administração de insulina por via exógena, tendo associada a si várias patologias: doenças cardiovasculares, insuficiência renal crónica, problemas oftalmológicos, lesões neurológicas, pé diabético e disfunção sexual, entre outras.

Recentemente, um grupo de investigadores deu início a um estudo que visa a utilização de células T reguladoras, extraídas do sangue do cordão umbilical, no tratamento da Diabetes Tipo 1. A investigação terá como principal objetivo avaliar a segurança e eficácia da administração de células T reguladoras, extraídas a partir de sangue do cordão umbilical, como terapia celular capaz de equilibrar o sistema imunitário e suprimir a destruição das células produtoras de insulina. As células T reguladoras pertencem ao sistema imunitário e são capazes de regular a resposta autoimune característica da Diabetes Tipo 1.

O grupo de investigadores desenvolveu, recentemente, um novo protocolo de expansão deste tipo de células, demonstrando que é possível aumentar o número de células T reguladoras a partir de sangue do cordão umbilical previamente criopreservado. Deste modo, é possível gerar células em quantidades suficientes para aplicação terapêutica, garantindo as características originais das mesmas, uma vez que este novo protocolo produz células adequadas em número, fenótipo e função.

Os investigadores acreditam que, se as células forem administradas numa fase precoce da Diabetes Tipo 1, será possível impedir a progressão da doença, tornando desnecessária a administração da insulina.

Este novo estudo é uma consequência dos resultados encorajadores de um ensaio piloto previamente realizado, em que 15 crianças diagnosticadas com Diabetes Tipo 1 foram auto transplantadas com o sangue do seu cordão umbilical. Os resultados dessa investigação concluíram que o procedimento é seguro, tendo-se verificado uma progressão positiva da doença, embora os doentes tenham permanecido dependentes da administração de insulina.

Os estudos clínicos realizados com recurso a células T reguladoras isoladas a partir de sangue do cordão umbilical podem ser a base para a descoberta de um tratamento eficaz da Diabetes Tipo 1, uma vez que estas células são capazes de regular a resposta autoimune. As células do sangue do cordão umbilical têm demonstrado um grande potencial, podendo vir a constituir a base de futuras abordagens terapêuticas no tratamento de diversas doenças.

Um artigo escrito por Bruna Moreira, licenciada em Biologia e Investigadora na área das células estaminais

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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