Existe relação entre os plásticos e o cancro da mama?

Estudo norte-americano confirma que a lista dos agentes químicos associados a esta doença é cada vez maior. Testes laboratoriais revelam dados preocupantes

O crescimento da incidência do cancro da mama nos Estados Unidos da América serviu de ponto de partida para um estudo  realizado pelo Breast Cancer Chemical Policy Project da Universidade da California, nos Estados Unidos da América (EUA), em 2011. A investigação norte-americana incidiu sobre as causas ambientais que podem estar associadas à doença. Na altura, a Saber Viver conversou com uma das cientistas responsáveis pela investigação.

Sarah Janssen afirmou que o Bisfenol A, substância usada no fabrico do plástico que é utilizado, por exemplo, em garrafas, biberões e embalagens de alimentos, era uma das 200 substâncias que estavam a ser analisadas por poderem estar na origem do cancro da mama. Tal como acontece em Portugal, onde há cerca de 4.500 casos novos por ano, nos EUA o cancro da mama é a neoplasia que mais vítimas faz entre as mulheres.

No entanto, de acordo com Sarah Janssen, tem-se apostado pouco na prevenção da patologia. «Por um lado, talvez isso aconteça porque as taxas de sobrevivência sejam elevadas, por outro, as causas deste cancro não se conhecem muito bem», continua. A cientista refere ainda que os casos com origens genéticas são apenas «um quarto do total de casos e a exposição a químicos é um fator de risco, à semelhança de ser mãe tarde, ao qual se deve dar a devida importância».

A necessidade de reforçar a aposta na prevenção

«Em testes feitos em laboratório, verificámos que a exposição ao Bisfenol A aumentou a predisposição para este tipo de tumor nos animais. Em experiências feitas com tecido mamário humano saudável, acelerou a reprodução celular e de todas as manifestações biofísicas associadas à doença e interferiu na quimioterapia usada no tratamento da doença», explica Sarah Janssen.

O objetivo do Breast Cancer Chemical Policy Project passa por regularizar a avaliação feita aos químicos. «Estamos a trabalhar num teste que analise a toxicidade e com o qual identifiquemos os químicos que contribuam para o cancro da mama», revelou, na altura, Sarah Janssen. «Queremos também identificar todas as lacunas que existem nesta área e elaborar um modelo piloto que também possa ser usado noutras doenças que poderão estar associadas aos mesmos fatores de risco», refere a cientista.

Por fim, Sarah Janssen afirma ainda que vão lutar para que a informação passe para os consumidores de forma a apostar cada vez mais na prevenção do cancro da mama. O autoexame mamário revela-se, assim, fundamental. Para saber quais os passos necessários a empreender regularmente, clique aqui.

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