Perda auditiva contribui para o desenvolvimento de distúrbios psicológicos

Os últimos dados apontam para que 60% da população nacional com mais de 65 anos venha a padecer desta complicação até 2015, pelo que importa prevenir um problema também conhecido por presbiacusia

Envelhecer é um processo normal, inevitável e irreversível, sendo que os idosos são uma população crescente em Portugal. A perda auditiva na terceira idade, conhecida como presbiacusia, é um sério fator de limitação, podendo até contribuir para o desenvolvimento de alguns distúrbios psicológicos, favorecer o isolamento e dificultar a comunicação. É através da audição que interagimos com o mundo e com as pessoas que nos rodeiam, podendo assistir-se a uma quebra muito significativa da qualidade de vida nas pessoas com perda de audição.

A presbiacusia, perda auditiva relacionada com o envelhecimento, não afeta de igual forma toda a população, uma vez que a sua prevalência aumenta com a idade, havendo tendência a manifestar-se a partir dos 50 anos. Os últimos dados apontam para que 60% da população nacional com mais de 65 anos venha a padecer desta complicação até 2015.

Consequências e sintomas da presbiacusia

A presbiacusia é uma doença complexa, com vários fatores de risco identificados que podem associar-se à sua precocidade e severidade. Não temos poder sobre alguns deles, como sucede com a predisposição genética e o envelhecimento mas no que se refere a outros, como a exposição a ambientes ruidosos, exposição a fármacos ototóxicos, excesso de peso, tabagismo, hipertensão arterial ou até diabetes, podemos intervir, uma vez que estes podem ser controlados.

Na verdade, o espectro do impacto é muito amplo, podendo ser desde uma situação pouco incómoda para o doente até uma situação de depressão e isolamento social. Prova disto é um estudo desenvolvido pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Gothenburg, na Suécia, que acaba de revelar que a perda auditiva nos idosos afeta diretamente a sua personalidade e qualidade de vida relacionada com situações sociais, existindo uma redução a nível da extroversão.

Os resultados provaram que, embora a estabilidade emocional se mantivesse constante, os idosos passaram a ser menos extrovertidos, sendo que de todos os fatores estudados (deficiência física, cognitiva e dificuldade em encontrar atividades sociais na velhice, por exemplo), esta mudança apenas se associava à perda auditiva, que pode levar, assim, ao desenvolvimento de uma nova personalidade. Este estudo demonstra que pode existir uma relação entre perda auditiva e personalidade.

Uma situação que pode afetar, assim, a qualidade de vida do idoso, principalmente no que se refere a situações sociais, o que consequentemente os pode tornar menos felizes por não se sentirem à vontade para partilhar com outros, por exemplo, momentos de alegria ou tristeza. As consequências da perda auditiva não se revelam no imediato, podendo prolongar-se no tempo, o que dificulta o problema.

Estima-se que, em média, o tempo entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a decisão de procurar ajuda especializada ronda os sete anos sendo muito importante realizar exames auditivos regulares para evitar que problemas sejam detetados tarde demais e acabem por se alastrar à saúde em geral. Necessidade de aumentar constantemente o volume da televisão ou rádio, dificuldade em perceber conversas, sensação de ouvido tapado ou zumbido são alguns dos indícios de perda auditiva.

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