O poder antioxidante do mirtilo

Projeto português aposta em extratos e polpas deste fruto para potenciar o seu consumo

Está longe de ser um dos frutos mais queridos e consumidos pelos portugueses mas as suas vantagens para a saúde são elogiadas e amplamente reconhecidas.

Além de ser um fruto rico em antioxidantes, que neutralizam os radicais livres e combatem doenças degenerativas, estimula o funcionamento da memória e contribui para uma redução efectiva do colesterol, avançam vários estudos internacionais.

Investigações recentes comprovaram também que o mirtilo, ingerido sob a forma de chá ou sumo, integra compostos que ajudam a prevenir e a tratar infeções do aparelho urinário, como a cistite. A sua ação antibacteriana também auxilia no combate a problemas relacionados com o aparelho digestivo, uma vez que este fruto está indicado para o alívio de inflamações da boca e pode contribuir para o tratamento e prevenção da colite, de diarreias e de problemas de gases intestinais. Além disso, melhora a visão e também se revela eficaz no tratamento de problemas de diabetes.

Ciente dessas vantagens, uma equipa de investigação da Escola Superior de Biotecnologia da Católica Porto assumiu-se como co-promotora da investigação que visa valorizar este fruto e os seus subprodutos. Esse é um dos principais objectivos do Projeto Myrtillus, apresentado publicamente em fevereiro de 2014, após três anos de investigação.

«É agora possível atuar no sentido de melhorar o processo de colheita e pós-colheita e o método de conservação deste fruto ou mesmo conhecer as cultivares de mirtilos com maior qualidade nutricional e funcional. A investigação revelou ser possível alterar a atmosfera de armazenamento, criando melhores condições de conservação para a firmeza do fruto e contrariar, assim, a perda de água, um dos pontos críticos do armazenamento e responsável pela redução das margens de lucro», revela aquele organismo em comunicado.

O projeto demonstrou, ainda, importantes implicações na área da saúde, como seria de esperar. «A este nível, os frutos demonstraram diferente concentração de compostos benéficos (compostos fenólicos com elevado poder antioxidante) para a saúde de acordo com a cultivar e estado de maturação. E, tendo em conta que este fruto é frequentemente associado à manutenção dos níveis de açúcar no sangue, o projeto estudou a resposta glicémica de indivíduos após a ingestão de formulações à base de mirtilo», refere ainda o documento.

«Verificou-se que, de facto, estas formulações induzem uma resposta glicémica eficaz, melhor do que a observada no teste controlo. Já no que aos produtos desenvolvidos no decurso do projeto diz respeito, destaquem-se as infusões à base de folhas e mirtilos de menor valor comercial. Estas, além de exibirem uma boa aceitação sensorial, revelaram níveis significativos de compostos com potencial biológico, pelo que se posicionam como sendo um produto particularmente interessante», acrescentam ainda os promotores da iniciativa.

«O projeto permitiu ainda o desenvolvimento de uma linha completa de produtos funcionais derivados do mirtilo e seus subprodutos, que incluirá o próprio fruto, fresco ou preservado através de congelação, secagem ou produção de uma gama de compotas funcionais, que futuramente poderão ser explorados pela empresa no mercado», anunciaram ainda os co-autores da investigação, financiado pela ADI - Agencia de Inovação, ao abrigo do programa QREN Co-promoção.

«Extratos ou polpas de mirtilo ricas em antioxidantes com propriedades biológicas confirmadas e formulações de infusões com elevada qualidade sensorial e performance funcional são apenas algumas das soluções», referem ainda. «Estes resultados revelam que o Myrtillus desempenha um importante papel na valorização económica de um território de baixa densidade, como é o caso de Sever do Vouga, possuindo, ainda, um forte impacto na diversificação e aumento das linhas de produtos e tecnologias da Mirtilusa, promotor do projeto», sublinham ainda.

Além da Escola Superior de Biotecnologia da Católica Porto, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, esta avaliação deste projecto de desenvolvimento envolveu também a Associação para a Gestão, Inovação e Modernização do Centro Urbano de Sever do Vouga (AGIM), a Frulact (empresa de indústria agro-alimentar), a
Ervital – Plantas Aromáticas e Medicinais, Lda. e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), também parceiras do projeto.

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