O novo índice de massa corporal

O ABSI poderá ser mais preciso a prever o risco de mortalidade associado à obesidade

Segundo os dados de um estudo da Direção Geral de Saúde realizado em 2013 e intitulado “Portugal: Alimentação saudável em números”, cerca de um milhão de portugueses são obesos e 3,5 milhões estão em situação de pré-obesidade. A explicação para estes números alarmantes parece residir numa alimentação de má qualidade, nomeadamente no aumento do consumo de gordura de origem animal e de sal. Também o baixo consumo de fruta e vegetais, associados à falta de atividade física, resultam no desenvolvimento de obesidade e de outras doenças crónicas.

Obesidade em idades precoces

Os dados presentes neste estudo revelam também que os hábitos alimentares pouco saudáveis iniciam-se em idades cada vez mais precoces. Este cenário é cada vez mais comum em países desenvolvidos e, perante esta realidade, o médico Jesse Krakuer e o seu filho Nik Krakuer, professor assistente de engenharia civil, criaram um novo método que quantifica o risco associado à gordura localizada na região abdominal: o “A Body Shape Index” (ABSI).

IMC vs. ABSI

Segundo os estudos publicados por estes dois investigadores, o ABSI é mais eficaz a prever o risco de mortalidade associada à obesidade que o Índice de Massa Corporal (IMC) e que a medição do perímetro abdominal.

O Índice de Massa Corporal (IMC) é utilizado para diagnosticar a pré-obesidade e obesidade em adultos e crianças ao relacionar o peso com a altura (IMC=Peso:altura elevada ao quadrado). De acordo com a Organização Mundial de Saúde, considera-se que existe excesso de peso quando o IMC é igual ou superior a 25 e que existe obesidade quando este valor é igual ou superior a 30. No entanto, o IMC é insuficiente para discriminar a massa muscular magra e, por outro lado, também não permite determinar em que parte do corpo está concentrada a gordura. Foi por isso que muitos médicos passaram a ter em conta o perímetro abdominal, por este incidir na gordura que se concentra na zona da barriga (considerada a mais perigosa para a saúde). Nos homens, o perímetro da cintura deve ser inferior a 94cm no homem e 80cm na mulher. Porém, esta medida, individualmente, também não é suficiente, pois não associa o peso à medição.

O que o ABSI determina

O ABSI tem em conta não só o peso e a altura mas também o tamanho da cintura, o que permite medir a gordura concentrada na região abdominal. Os investigadores comprovaram que, à medida que o ABSI aumenta, também o risco de mortalidade é mais elevado. Assim sendo, quando comparado com o IMC, o ABSI torna-se um melhor indicador para prever o risco de mortalidade, segundo os dois cientistas americanos.

O ABSI é realmente mais preciso que o IMC?

Nos estudos já realizados por estes investigadores, ficou demonstrado que um valor mais elevado de ABSI é mais exato do que o IMC a prever o risco de mortalidade. Uma vez que o IMC não mede diretamente a gordura, é possível que pessoas musculadas e em boa condição física apresentem valores de IMC pouco saudáveis. De acordo com um dos estudos publicados no The City College of New York em 2012, o ABSI previu o risco de mortalidade em todas as idades, sexo, peso e raça.

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