Não continue a esconder a cara. Tudo o que precisa de saber sobre rosácea

A vermelhidão facial pode ser causada por uma doença designada rosácea. As informações que tem de saber e os cuidados que deve ter explicados pela farmacêutica Susana Henriques.
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Tenho vermelhidão facial e agora?

A vermelhidão facial pode ser causada por uma doença designada rosácea. Trata-se de uma doença crónica da pele que tem origem na dilatação de pequenos vasos sanguíneos no rosto. A rosácea afeta sobretudo a região central da face, causando vermelhidão persistente ou transitória na testa, bochechas e nariz.

São conhecidos vários fatores desencadeantes deste problema ou que levam ao agravamento da doença. Conhecê-los e evitá-los é o primeiro passo para controlar a vermelhidão facial.

Quais as causas da rosácea?

Os mecanismos fisiopatológicos que levam ao desenvolvimento da rosácea ainda não estão totalmente esclarecidos. Sabe-se que a doença surge por uma combinação de vários fatores, entre eles, anormalidades no sistema imunológico, reações inflamatórias a microrganismos da pele, lesões por raios ultravioleta e disfunção dos vasos sanguíneos.

Por outro lado, sabe-se que a exacerbação dos sintomas pode ser provocada por inúmeras situações, como a permanência em ambientes com temperaturas muito elevadas ou muito baixas; a exposição ao sol; a ingestão de bebidas quentes, bebidas alcoólicas e alimentos picantes; a prática de exercício físico intenso; a aplicação de cosméticos irritantes e o stress.

Como se pode manifestar a rosácea?

A rosácea pode manifestar-se de diversas formas, caracterizando-se essencialmente em 4 tipos:

  • Rosácea eritemato-telangiectásica (vermelhidão facial): Há uma tendência para corar facilmente até que a vermelhidão se torna persistente nas áreas da face, nariz e queixo. Nestas zonas, pequenos vasos sanguíneos tornam-se visíveis.
  • Rosácea pápulo-postular: Vermelhidão acompanhada de pápulas (borbulhas avermelhadas) e pústulas (borbulhas com pus). Este tipo de rosácea pode ser confundido com a acne.
  • Rosácea Fimatosa: Hipertrofia e espessamento da pele, tornando-a irregular. Este tipo é mais predominante no homem. O nariz é o local mais afetado, mas também se pode encontrar no queixo, na testa ou bochechas.
  • Rosácea ocular: Ocorre em mais de 50% das pessoas com rosácea.
    Algumas manifestações comuns incluem, vermelhidão dos olhos, terçolho, ardor ou sensação de corpo estranho, olho seco, visão embaçada, prurido ou alterações no lacrimejar.
Como tratar?

Embora não haja uma cura definitiva para a rosácea, os tratamentos podem conduzir a um controlo e alívio dos sintomas. Em primeiro lugar deve evitar os fatores que agravam a vermelhidão e mudar alguns hábitos diários.

O tratamento vai depender do tipo de rosácea, por isso é importante que a situação seja avaliada por um especialista para determinar o diagnóstico. Normalmente são utilizados cosméticos com ação calmante e reparadora e medicamentos tópicos, que ajudam a reduzir a inflamação e a vermelhidão.

Em casos mais severos, poderá ser associado o tratamento por via oral.

Outros tratamentos com recurso a laser ou luz intensa pulsada e escleroterapia têm também demonstrado ser eficazes no tratamento deste problema, apresentando resultados clínicos muito satisfatórios.

Quais os cuidados diários a ter para atenuar a vermelhidão?

  • Usar um produto de limpeza suave para limpar a pele de manhã e à noite, evitando friccionar a pele em excesso;
  • Os homens devem preferir o uso da máquina de barbear elétrica em vez de lâmina;
  • Devem ser utilizados cremes hipoalergénicos com o mínimo de perfumes e mínimo de conservantes e com ingredientes ativos calmantes e que atuam sobre a microcirculação, testados dermatologicamente para pessoas com rosácea;
  • Aplicar diariamente protetor solar com fator de proteção igual ou superior a 30;
  • Se for o caso, opte por utilizar maquilhagem corretora adaptada. Existem no mercado opções de maquilhagem específica para peles sensíveis e sticks corretores de cor verde que cobrem e neutralizam a vermelhidão e os vasos dilatados, características desta doença.
As recomendações são de Susana Henriques, farmacêutica do Serviço de Dermofarmácia das Farmácias Holon

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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