Manter a saúde mental

Inspire-se no exemplo de um especialista da área

Manter-se ocupado é meio caminho andado para diversificar interesses e para manter uma mente ativa. Estudos internacionais, divulgados um pouco por todo mundo, confirmam-no.

Álvaro Carvalho, coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde e docente de Saúde Mental e Psiquiatria na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, revelou à revista Prevenir os seus rituais e segredos para manter a saúde mental.

Siga os seus exemplos:

Gerir o tempo

«Tenho funções de gestão pública, mas mantenho a atividade clínica, que me faz sentir muito realizado. Quando se faz o que se gosta, a motivação aumenta e o stresse diminui. Por outro lado, diversificar os focos de interesse reduz o cansaço. Além do consultório, complemento as funções públicas com o trabalho em associações».

Contacto social

«Sou muito relacional, gosto muito de interagir com pessoas. tenho visitas de trabalho a locais variados do país e conheço pessoalmente a maioria dos meus colegas responsáveis por serviços de saúde mental. Na DGS há um grupo de pessoas com quem tenho uma relação cordial e digo umas chalaças ao almoço».

Lazer

«Gosto de cozinhar, de estar com a família – sou penta-avô, o que é muito estimulante e gratificante – e se tenho tempo vou ao cinema. Esqueço a profissão ao fim de semana e nas férias, mas se tenho uma preocupação, disponibilizo-me para intervir e isso não me é penoso».

Sono

«A nível da saúde mental, quando fazemos coisas de que gostamos, dormir menos do que é teoricamente recomendado não é necessariamente negativo. É raro conseguir dormir antes da uma da manhã. Durmo seis a sete horas por noite, mas em fases de maior preocupação acordo espontaneamente mais cedo».

Prática clínica

«É muito importante as pessoas conhecerem-se melhor através da análise dos seus mecanismos mentais e da forma como
gerem as dificuldades. Acredito que a vida mental é dinâmica, que temos capacidade de nos pensarmos e reformularmos, e que a referência a um diagnóstico muito concreto, que é estático, é prejudicial».

Atitude antidepressiva

«Muitas depressões decorrem da dificuldade em gerir conflitos e do facto de se descarregar a tensão ao lado do que a gerou. nem sempre há condições para resolver, mas é importante não engolir em seco e, com adequação, mas determinação, procurar derimir as divergências, que são inevitáveis no processo de estar vivo».


Texto: Rita Miguel

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