Malária descodificada

Trabalho de investigadora portuguesa ajuda a esclarecer alguns aspetos sobre a doença

Maria Manuel Mota é, aos 42 anos, a mais jovem vencedora do Prémio Pessoa, uma iniciativa do Expresso e da Caixa Geral de Depósitos, que visa distinguir trabalhos de relevo.

O júri reconheceu, em 2013, o seu papel no esclarecimento dos mecanismos de desenvolvimento do parasita da malária no ser humano, a sua produtividade científica e a sua cidadania científica ao fundar a Associação Viver a Ciência.

O que descobriu?

«Somos o primeiro grupo que estabeleceu uma ligação entre o metabolismo de colesterol dos seres humanos e a presença do parasita, que parece usar a nossa gordura e colesterol para sobreviver e também o nosso ferro. Estas moléculas podem permitir-lhe, ou não, ser mais virulento e agressivo e causar mais ou menos doença» refere.

Qual a utilidade da descoberta?

«Se soubermos qual é a fonte de alimentação do parasita, podemos modificar esse ambiente de modo a que ele se torne menos agressivo e a que não cause doença ou não se consiga estabelecer no nosso organismo», explica a diretora de investigação no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

O que ainda querem apurar?

«Estamos muito interessados em saber como o parasita da malária se comporta de forma diferente em hospedeiros distintos, não só por terem uma base genética diferente, mas também pelo ambiente que os rodeia – o que comemos, o tipo de infeções que temos», esclarece.

Qual a importância desse estudo?

«Pensa-se que uma vacina ou fármaco universal atacará o parasita sempre da mesma forma, mas nós achamos que ele tem um programa distinto para sobreviver em cada indivíduo. Ao saber isso, estaremos melhor preparados para o máximo de capacidade que ele terá de fugir à vacina», acrescenta a investigadora.

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