Literacia em saúde dos portugueses continua a ser fraca

Nasceu uma estratégia nacional para combater os baixos níveis de conhecimento sobre saúde da população. Porquê? Pacientes mais informados tornam-se mais saudáveis!

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A literacia em saúde é, segundo o projeto Saúde que Conta, «a capacidade individual em obter, processar e interpretar informação básica em saúde e serviços de saúde, tendo por finalidade uma tomada de decisão autónoma». Os dados de um estudo realizado no âmbito deste projeto, não deixam margem para dúvidas. Ainda há um longo caminho a percorrer, apesar da margem de progressão ser, também ela, grande.

Este projeto é uma iniciativa de investigação nacional que pretende acompanhar, avaliar, debater e promover a participação ativa do cidadão no panorama nacional de saúde, demonstraram que cerca de 61% da população inquirida em Portugal apresenta, no início de 2017, um nível de literacia em saúde inadequado ou problemático e, como tal, a compreensão de informação médica pode constituir um desafio.

Porque é importante?

Baixos níveis de literacia resultam numa pior condição de saúde, maior taxa de morbilidade em doenças como diabetes, hipertensão, obesidade, infeção por VIH/SIDA, numa pior utilização dos serviços de saúde e serviços preventivos, numa taxa de vacinação mais baixa e numa taxa mais elevada de hospitalização e de utilização das urgências hospitalares.

Por outro lado, tornar as pessoas mais educadas em literacia em saúde pode levar a uma melhor utilização dos serviços e recursos de saúde e a uma diminuição dos comportamentos de risco e gastos no setor.

O que vai ter (mesmo) de acontecer

Na quarta edição do Saúde que Conta, em resposta aos baixos níveis de literacia em saúde registados em Portugal, em novembro de 2016, um conjunto de peritos de diversas áreas reuniu-se para debater a Estratégia Nacional para a Literacia em Saúde na tentativa de, no futuro, combater estes valores. Algumas das estratégias a implementar, de modo a levar os cidadãos a melhorar a sua literacia em saúde, passam por:

- Maior aposta na prevenção

Tornar mais simples a forma como o sistema de saúde se apresenta aos cidadãos, principalmente aos grupos vulneráveis, investir na prevenção, principalmente nas áreas de saúde reprodutiva, infantil, escolar e ocupacional e promover o desenvolvimento de uma maior literacia em saúde por parte dos cidadãos, tornando-os mais informados no que toca à saúde.

- Criação de um boletim de saúde online e universal

Desenvolver e promover a utilização de uma plataforma virtual que permita o acesso, registo, gerência e partilha por parte do cidadão da sua informação de saúde, através de um sistema de informação centrado no cidadão, universal, interoperável (com envolvimento ativo dos profissionais), user-friendly, com suporte multicanal e com ligação a APP. Além disso, é importante informar os cidadãos de que essas plataformas existem e incentivá-los a utilizá-las.

- Promoção de iniciativas

Criação de plataformas de partilha online para consulta e divulgação de iniciativas, assim como a implementação de projetos, garantindo a sustentabilidade das boas práticas da literacia em saúde.

- Simplificação da comunicação médico-paciente

Criar estratégias para uma maior e melhor partilha de informação entre o profissional de saúde e o cidadão, integrar uma educação continuada em comunicação no currículo dos profissionais para que estes simplifiquem a linguagem técnica e utilizem um discurso mais percetível, aumentar o tempo de consulta.

São também defendidas estratégias que visem tornar o cidadão mais apto em comunicação e autónomo na tomada de decisões relacionadas com a sua própria saúde e estabelecer parcerias com associações de doentes para formar os profissionais de saúde sobre as doenças  e características dos doentes.

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