Joana Sousa Cardoso e o cancro da mama

Recidiva volta a preocupar a arquiteta

A Joana não tem cancro. Era assim que este texto deveria começar mas, infelizmente, a verdade é outra. Aos 30 anos, Joana Sousa Cardoso tem novamente cancro da mama.

Depois de ter vencido a doença há cerca de cinco anos, tinha na altura 26, a arquiteta, casada com o músico Mico da Câmara Pereira, voltou, nos primeiros meses de 2013, a ser confrontada com um diagnóstico de tumor maligno, uma situação que volta a trazer a lume receios antigos.

«Apesar de ter consciência da doença que tenho, também me mentalizo que não tenho cancro. Pelo menos é essa a ideia que faço passar, não de propósito, mas porque me sinto naturalmente muito bem», confessava aquando da primeira batalha contra a doença. E a verdade é que, quando sentimos a sua energia positiva, quando ouvimos a sua gargalhada e a vemos fazer humor de uma situação que nada tem de engraçada, a vontade é mesmo essa, apetece dizer que não tem cancro da mama.

Joana Sousa Cardoso descobriu que tinha novamente cancro há pouco mais de dois meses, num dos exames de rotina que faz regularmente. Desta vez, foi mais cedo. Da primeira, não. «Muito provavelmente, toda esta situação poderia ter sido evitada se um diagnóstico realizado há cerca de um ano e meio não tivesse sido negligente», afirmou na altura. «Apareceu-me um nódulo no peito e por descargo de consciência fui ao médico ver o que se passava. Ele
viu-me e disse-me que fazia parte da estrutura mamária e que era mesmo assim», recorda.

«Fiquei descansada. Ainda por cima, sou jovem, fui mãe cedo, amamentei e não fazia parte do grupo de risco», explicou em entrevista à Prebenir, naquela época. No entanto, a determinada altura, o nódulo começou a aumentar e, quase um ano depois, Joana Sousa Cardoso decidiu ir ao Hospital da Universidade de Coimbra, onde, depois de uma ecografia mamária, uma mamografia e uma biópsia, «se confirmou o que não queria saber», relata.

O choque da notícia

Anestesiada é o sentimento que melhor descreve o estado em que ficou quando as palavras cancro da mama ecoaram na sua cabeça. «O médico veio chamar-me ao corredor e trazia uma folha com o resultado sublinhado a vermelho. Percebi logo o que era. Entrei no gabinete e ele começou com aquela conversa do género: Joana, há coisas que nós temos que gostávamos de não ter. Disse-lhe logo que podia parar com aquela conversa, que o importante era saber o que é que podíamos fazer a partir daquele momento», recorda.

«Ele começou a falar, mas confesso que já não ouvi nada, apenas umas palavras soltas», refere ainda. O seu primeiro pensamento foi para o filho Afonso, de quatro anos na altura. Recorda a apatia que sentiu naqueles primeiros dias. «Estava apática. Acho que nem era triste, estava a tentar assimilar toda a informação e fiquei um bocado tremida. Nos primeiros momentos custou-me muito aceitar que ia fazer quimioterapia e que passados 18 dias ia ficar sem cabelo», confessa.

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